E a medalha que estava aqui?

E a medalha que estava aqui?

Resultados ruins no vôlei, no judô e na natação ameaçam pódios que pareciam certos para o ano que vem

Maíra Nunes
postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Alexandre Schneider/FIVB







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(foto: Alexandre Schneider/FIVB )


A Copa do Mundo de futebol gerou certo trauma aos torcedores mais apaixonados pela Seleção Brasileira. A 354 dias das Olimpíadas, a ansiedade de receber um dos maiores eventos multiesportivos do mundo abre margem para que fantasmas criados há um ano retornem: ninguém quer passar por novo vexame dentro de casa. Neste sentido, a pressão aumenta para o lado dos atletas, principalmente em modalidades em que a medalha, antes dada como certa, vira dúvida.

É o caso das equipes de vôlei; de Mayra Aguiar, no judô; e de Cesar Cielo, na natação. Com desempenho abaixo do esperado neste ano, o resultado desses atletas nos Jogos do Rio pode causar queda do país de até cinco posições no ranking da futura competição, levando em consideração a conta hipotética do quadro de medalhas.

Levantamento do Correio publicado em março, com os resultados dos mundiais mais recentes à época, mostrou que a meta de terminar a disputa entre os 10 primeiros até pode ser possível, mas com resultados na medida certa. Pelo desempenho dos adversários, contabilizando os rankings de todas as categorias, o Brasil ficaria exatamente na 10; posição ; mas num cenário que dava como certas as medalhas de Mayra, Cielo, e conquistas no vôlei masculino e feminino. Caso eles não se recuperem no próximo ano, a já difícil meta de top-10, estabelecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), ficará cada vez mais distante.


O alerta disparou com os resultados ruins das seleções feminina e masculina de vôlei nas últimas duas competições internacionais que participaram no ano de véspera dos Jogos do Rio. As jogadoras comandadas pelo técnico José Roberto Guimarães terminaram com a terceira colocação no Grand Prix e com a prata no Pan-Americano de Toronto, que ocorreram de forma simultânea no mês passado. Já para os rapazes, a situação está pior e, agora sim, digna das caretas e broncas de Bernardinho.

Na Liga Mundial, a eliminação precoce do Brasil fez com que a Seleção masculina caísse antes das semifinais. Assim, os brasileiros ficaram fora da melhor parte da festa disputada em casa, a fase final, realizada no Rio de Janeiro, e que fez parte dos eventos testes para a Olimpíada. Mais tarde, em solo canadense, os atletas que integraram a Seleção B precisavam impressionar para almejar uma vaga em 2016. Mas a prata no Pan de Toronto, conquistada após a derrota para a Argentina na decisão, não foi exatamente dos melhores prêmios de consolação pela desclassificação da equipe principal na outra competição.


O ouro pan-americano não veio no Canadá, assim como não deu para o Brasil encerrar o jejum de títulos na Liga Mundial ; o país não vence o torneio anual desde 2010. Mas ao menos a experiência dos rapazes serviu para evidenciar entraves para o pódio olímpico. Um deles está relacionado ao elenco que vem sendo testado neste ciclo olímpico. A Seleção passou por uma renovação desde o amargo segundo lugar em Londres-2012, após sofrer uma virada surpreendente na decisão diante dos russos.

Fraco ataque
O rendimento em quadra na Liga Mundial e no Pan, no entanto, aponta para a fragilidade de um setor que, tradicionalmente, se destacou na Seleção masculina: o ataque. ;Não é que o Brasil não tenha bons ponteiros. Mas, de todas as posições, esta não teve a renovação que vimos nos anos anteriores;, comenta o técnico Marcos Pacheco, atual vice-campeão da Superliga masculina, com o Sesi-SP.

;A falta dos ponteiros, que sinto hoje, é em função de termos nos acostumado com grandes craques que exerciam a função dentro da Seleção, como Dante e Giba;, emenda Pacheco. E a sensação nem se dá por falta de nomes de qualidade. Murilo é prova disso. Os problemas de um dos líderes da equipe brasileira, no entanto, foram as cirurgias no ombro, uma realizada em maio de 2013 e outra, em outubro do ano passado.

A esperança de Bernardinho é ver aquele que chama de ;peça fundamental para o equilíbrio da equipe; voltar a atuar no nível de antes. A verdade é que o ponteiro ainda não recuperou a confiança ; nem o desempenho ; de quando foi eleito o melhor jogador de Londres-2012. Na prática, o Brasil perdeu em agressividade no setor ofensivo. É que depois das lesões, Murilo passou a ser menos acionado no combate, para ter como principal função equilibrar o passe do time.

Mas basta reparar em Luca-relli para ver que renovação existe, sim. Bernardinho vem apostando no jogador de 23 anos há algum tempo. Tanto que o levou para vivenciar uma experiência olímpica em 2012, visando 2016. Deu certo. ;Em 2013, ele se tornou titular da Seleção e, hoje, certamente é um ponto de referência do time;, observou o técnico, antes da Liga Mundial. Mais experiente, Lipe, 31, também tem vaga praticamente assegurada no grupo olímpico ; mais pela capacidade física do que propriamente técnica. Outro que volta é Samuel, do Minas, mas ele também vem de cirurgia recente. Por fim, Lucas Loh e Maurício ainda podem beliscar uma vaga nos Jogos do Rio.

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