Os negócios promissores em tempo de crise

Os negócios promissores em tempo de crise

Estudo do Sebrae lista as opções de negócio mais lucrativas e promissoras para enfrentar a crise. Empresas relacionadas a comércio eletrônico, produtos sustentáveis e serviços que facilitem o cotidiano do consumidor estão entre as principais tendências de mercado

» FLÁVIA MAIA » THIAGO SOARES
postado em 24/08/2015 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)


Se o assunto do momento é a crise, há quem veja nas incertezas econômicas oportunidades de negócio. Enquanto a taxa de desemprego cresce, não ficar parado e criar a própria vaga de trabalho pode ser o caminho para atravessar a maré de pessimismo. De olho nesse público que aposta no empreendedorismo como opção de carreira, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Distrito Federal fez um mapeamento com as principais tendências por segmento. O estudo, obtido com exclusividade pelo Correio Braziliense, será divulgado esta semana durante a Feira do Empreendedor e traz mais de 50 opções de negócios.

O Correio selecionou 10 oportunidades de até R$ 50 mil em investimento e mais seis relacionadas a diferentes campos de atuação, que vão desde o setor de serviços, passando pela indústria e pelo agronegócio (veja arte). O que a pesquisa do Sebrae mostra é que as empresas relacionadas a comércio eletrônico, produtos sustentáveis e serviços que facilitem o dia a dia do consumidor são as principais tendências de mercado. ;A crise precisa ser analisada pelo empreendedor, não é todo segmento que está em crise. Nesses períodos incertos, o dinheiro muda de mão. As oportunidades que o estudo mostrou são as latentes e que a crise não abateu;, explica Antônio Valdir de Oliveira, superintendente do Sebrae no DF.

A alta renda per capita do brasiliense, a porcentagem significativa de funcionários públicos na composição de trabalhadores e a grande capacidade de endividamento amortizam o impacto da crise no DF em comparação a outras unidades da Federação. Nichos de mercado como o relacionado à vida saudável continuam em alta. Isso porque as famílias brasilienses não cortaram radicalmente do orçamento os gastos que proporcionam qualidade de vida.

Interessados nesse público, o casal Hélcio Augusto Cavalhero, 37 anos, e Maiara Viegas Heusi, 31, inovou com a abertura da Fresh Food há quatro meses. A empresa é um food truck baseado em alimentação saudável e funcional. ;As oportunidades estão aí a todo momento, basta ter olhos para ver;, acredita Hélcio. Maiara conta que teve a ideia de abrir o negócio após perceber que a mãe dela, alérgica a glúten e a lactose, não encontrava lugar para comer.

O casal resolveu juntar a tendência de comida saudável ao aumento dos food trucks em Brasília. ;O food truck passou de moda para tendência, de tendência para realidade, ainda mais em tempos de crise, em que todo mundo procura opções mais baratas;, justifica Hélcio. De acordo com os empresários, o que está travando o negócio é a indefinição legal sobre os food trucks.

Serviços e produtos que investem na comodidade e na praticidade do cliente também estão em alta. Por exemplo, a modalidade beleza em domicílio tem um investimento inicial de R$ 31 mil, com promessa de faturamento anual de R$ 54,4 mil. O delivery de frutas também é uma opção para quem tem pouco dinheiro inicial. Com investimento de R$ 18,2 mil e retorno em menos de um ano, torna-se um negócio atrativo.

O casal Kely Cristina Ferreira, 42 anos, e André Walace Damasceno, 33, estão no ramo de delivery de frutas há dois anos. Com a empresa Frugt, os dois foram os pioneiros na atividade em Brasília. Eles vendem pacotes mensais e entregam, diariamente, no trabalho ou na casa do cliente, o kit com as frutas higienizadas e cortadas. Atualmente, empregam mais três pessoas e saíram da condição de microempreendedor individual para microempresa. A expectativa de Kely é transformar o negócio em franquia. ;É claro que nós sentimos a crise, mas o que percebemos é que o setor de delivery e de comida saudável não tem como parar. Tem altos e baixos, mas com tendência de crescimento;, analisa Kely.

As atividades voltadas aos cuidados pessoais, como personal trainner, cuidadoras e babás, estão em alta, assim como as empresas que capacitam esses profissionais. Uma empresa de recrutamento e treinamento de babás tem um investimento mais alto (R$ 192, 4 mil), mas o faturamento anual é cinco vezes o inicial e com retorno rápido ; de 16 a 18 meses. ;O empreendedor tem que saber que estamos apresentando tendências. Se ele optar pelo negócio, tem que ver se tem vocação, entender o mercado e fazer um bom plano de negócios;, afirma Antônio Valdir, do Sebrae.

Programe-se

A 23; edição da Feira do Empreendedor ocorre de 26 a 30 de agosto, das 10h às 20h, no Taguaparque. A expectativa é de que
12 mil visitantes passem pelo evento, que oferecerá 163 atividades, sendo 11 palestras, cinco rodadas de negócios, um seminário de crédito
e 146 capacitações.

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