Prefeito sofre atentado

Prefeito sofre atentado

Criminosos dispararam diversas vezes em frente à casa do político, que diz ser perseguido após denunciar parlamentares por extorsão. Ninguém ficou ferido

» Renato Alves
postado em 24/08/2015 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 8/4/15)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 8/4/15)


;Sei que a qualquer hora podem me apagar.; A frase resignada é do prefeito de Cavalcante (GO), João Pereira da Silva Neto (PTC), 59 anos. Em meio à onda de denúncias de corrupção e de exploração sexual do trabalho de meninas descendentes de escravos envolvendo políticos da cidade, ele foi alvo de atentado na madrugada do último sábado. Homens fizeram vários disparos de arma de fogo em frente à casa onde ele mora. Ao menos quatro tiros atingiram a fachada do imóvel, no centro do município, localizado na região da Chapada dos Veadeiros.

Para o administrador da cidade goiana, o crime tem motivação política. ;Já saí da cidade no sábado mesmo. Diante da pressão que venho sofrendo, acho que o fato foi até bem menos grave do que eu esperava. Não quero acusar ninguém diretamente, mas o foco deles é me matar;, garante, sem citar nomes. Além do prefeito, estavam na casa na hora dos tiros o filho dele, a nora, que está grávida, o neto e a babá da criança. Ninguém se feriu. Vizinhos contaram ao político que, após o barulho dos tiros, escutaram um carro deixar o local. No entanto, eles não chegaram a ver quem atirou.

Neto acredita que os tiros foram uma forma de ameaçá-lo. Ele afirma que é vítima de perseguição política devido a uma denúncia de extorsão feita contra cinco vereadores em setembro de 2013. Eles foram filmados no momento em que recebiam uma mala de dinheiro com R$ 250 mil. Os parlamentares ainda respondem processo pela tentativa de extorsão, mas reassumiram os cargos. Na época, os suspeitos negaram à Polícia Civil terem cometido o crime e disseram se tratar de uma ;armadilha do prefeito;.

Cassação

Um processo de cassação do prefeito está em andamento no Tribunal de Justiça de Goiás. O juiz aguarda resultado de perícia para dar parecer sobre o caso. Em dezembro de 2014, a Câmara Municipal extinguiu o mandato de Neto alegando que ele se ausentou por mais de 15 dias da cidade sem a autorização dos vereadores. A defesa do político recorreu e, um mês depois, ele voltou a assumir o cargo por decisão judicial.

Reginaldo Martins, advogado de João Neto, alega que o processo de cassação também seria uma retaliação dos cinco vereadores denunciados pelo prefeito, que afirma não pensar em renunciar. ;Seria um ato covarde;, diz, mas quer maior proteção. ;Já comuniquei à Secretaria de Segurança que estou precisando de apoio. Quero que esse atentado seja apurado e que seja cumprida a lei em Cavalcante.;

Colaborou Rafael Campos

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