Quando o protesto político é recusar a convocação

Quando o protesto político é recusar a convocação

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 24/08/2015 00:00
 (foto: Internet/Reprodução
)
(foto: Internet/Reprodução )

Imagine se o maior craque do nosso país, Neymar, decidisse recusar todas as convocações da Seleção em uma forma de protesto, até que a presidente da República, Dilma Roussef, deixe o governo. A crise por aqui não chegará a esse ponto, mas a Síria joga as Eliminatórias para a Copa de 2018 sem o seu astro. Considerado o melhor atacante do Oriente Médio, Omar Al-Soma ; artilheiro do Campeonato da Árábia Saudita na temporada de 2014/2015 com 23 gols, se recusa a representar o país enquanto o poder estiver nas mãos de Bashar Al-Assad.

Omar Al-Soma nasceu em 28 de março de 1989, em Deir Ezzor. Sétima maior cidade da Síria, a 450km da capital Damasco, e às margens do Rio Eufrates, a província é praticamente uma ilha dentro do país controlado pelo grupo radical Daesh. Deir Ezzor é praticamente o único pedaço de terra favorável ao contestado Bashar al-Assad na guerra civil que se arrasta há 53 meses e tem levado dor, mortes e sofrimento ao povo do goleador Omar Al-Soma.

Aos 26 anos, o atacante do Al Ahli defendeu a seleção da Síria na Copa da Ásia Sub-19 de 2008. Vestiu a camisa nos Jogos do Mediterrâneo de 2009, na Itália, e nas Eliminatórias para as Olimpíadas de Londres-2012. No mesmo ano, foi campeão da Copa do Oeste da Ásia, com a camisa 10, na vitória por 1 x 0 sobre o Iraque.

Em maio, o técnico Fajr Ibrahim convocou Omar Al-Soma para a estreia da Síria nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Opositor ao regime de Bashar Al-Assad, o jogador usou as redes sociais para renunciar alegando motivos de natureza política. Omar Al-Soma chegou a oferecer os gols a qualquer país da região do Golfo Pérsico que esteja disposta a naturalizá-lo.

Além de voltar a vestir a camisa de uma seleção, Al-Soma tem um sonho: trabalhar na Premier League, o badalado Campeonato Inglês. Ele quase conseguiu em 2012. O atacante defendia o Al Qadsia, do Kuwait, quando o dono do time, Fawaz Al-Hasawi, comprou o Nottingham Forest e deu a ele a chance de fazer um teste no clube inglês. A-Soma só não foi contratado devido à falta de permissão de trabalho. A FA só concede autorização a jogadores de países com média entre os 70 melhores no ranking da Fifa e presença em ao menos 75% dos jogos da seleção nos dois anos anteriores à solicitação. A melhor posição da Síria foi o 78; lugar em agosto de 1993. Atualmente, ocupa o 117; lugar.

Contra o regime de Bashar Al-Assad e pelo sonho de figurar na Premier League, Al-Soma pode pintar a qualquer momento na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos ou até mesmo disputar a Copa de 2022 pelo Catar ; país que mais o assedia, mas impõe uma regra estabelecidade pela Fifa. Para vender seus gols ao Catar, Al Soma terá de jogar ao menos cinco anos na Q-League. É isso ou aguardar uma reviravolta histórica na Síria.

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