Casa Branca garante apoio a acordo com Irã

Casa Branca garante apoio a acordo com Irã

Com a adesão declarada de 34 senadores, tratado que limita o programa nuclear iraniano tem a sobrevivência assegurada. Oposição fica sem votos para dobrar veto de Obama

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 03/09/2015 00:00
 (foto: Mark Makela/Getty Images/AFP)
(foto: Mark Makela/Getty Images/AFP)



Após um mês e meio de articulações, o governo do presidente Barack Obama garantiu ontem o apoio necessário no Senado para evitar que o acordo sobre o programa nuclear iraniano seja derrubado pelo Congresso. O texto deve ser votado nas próximas semanas, mas a manifestação da senadora democrata Barbara Mikulski (Maryland) em favor da aprovação foi encarada como uma grande vitória para a Casa Branca. Diante do cenário favorável à iniciativa da Casa Branca, pré-candidatos à presidência pela oposição republicana reiteraram as críticas ao compromisso com o Irã.

Mikulski foi a 34; integrante do Senado a se manifestar pela ratificação do acordo, firmado em julho passado entre Teerã e os países do grupo P5+1 (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha). Os republicanos detêm a maioria simples em ambas as casas do Congresso e podem votar pela rejeição do texto, mas Obama já anunciou que vetará uma resolução com esse teor ; e, embora tenham adesão de alguns congressistas democratas, os opositores do acordo não contam com os votos exigidos para derrubar o veto. Os líderes do Legislativo pretendem colocar o tratado em votação antes do próximo dia 17.

Em comunicado, Mikulski lembrou que ;nenhum acordo é perfeito, especialmente um negociado com o governo iraniano;, mas destacou que se trata da ;melhor opção disponível para impedir que o Irã tenha uma bomba nuclear;. ;Manter ou ampliar as sanções só funcionaria se elas forem mantidas em conjunto. Não está claro se União Europeia, Rússia, China, Índia e outros países continuariam com as sanções, se o Congresso (americano) rejeitar o acordo;, observou. A senadora lembrou ainda que a Casa Branca não descarta uma resposta militar caso Teerã descumpra os termos acertados.

A senadora fazia parte de um grupo de 11 senadores democratas (governistas) que até ontem não tinham oficializado sua decisão. Apenas dois ; Robert Menendez (Nova Jersey) e Chuck Schumer (Nova York) ; haviam declarado voto contrário. Mesmo com 10 democratas ainda indefinitos, o responsável pela articulação da bancada republicana no Senado, John Cornyn, admitiu a derrota. ;Os democratas ganharam: o acordo sobre o Irã está feito. Com Mikulski, Obama tem todos os votos de que precisa;, declarou.

Em resposta, alguns dos principais pretendentes à candidatura oposicionista na eleição presidencial de 2016 protestaram. Enquanto o empresário Donald Trump, que lidera as pesquisas entre os eleitores republicanos, reiterou que o acordo com o Irã ;é terrível;, o ex-governador da Flórida Jeb Bush considerou que ;minorias não deveriam bloquear esforços bipartidários para impedir um acordo ruim, que financiará clérigos islâmicos, desestabilizará a região e abrirá caminho para o Irã construir uma bomba;. Marco Rúbio, senador pela Flórida, prometeu desmanchar o acordo, caso seja o próximo presidente. ;Não há nada que vincule isso (o texto) ao novo governo;, afirmou.

Apesar da resistência republicana, uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland aponta que 55% dos americanos acreditam que o Congresso deve respaldar o acordo com o Irã. Na tentativa de ampliar o apoio no Legislativo, o Departamento de Estado enviou cartas e pretende realizar reuniões com congressistas. Em visita à Filadélfia, o secretário de Estado, John Kerry, afirmou que rejeitar o acordo é uma medida ;autodestrutiva, que arruinaria a liderança; dos EUA no cenário internacional. ;O mundo culparia a nós;, argumentou.



Matemática ajuda Obama

Em meio às negociações entre o Irã e os países do P5+1 o Congresso americano aprovou uma resolução que determinava um prazo de 60 dias para que os legisladores ratifiquem ou rejeitem o acordo nuclear. Diante dos planos republicanos de rejeitar o compromisso, o presidente Barack Obama advertiu que vetaria qualquer resolução contrária ao tratado. São exigidos dois terços dos votos, em ambas as casas legislativas, para derrubar o veto presidencial, o que força os republicanos a buscar apoio entre governistas. Para isso, a bancada opositora depende da adesão de pelo menos 13 democratas no Senado e de 44 na Câmara dos Deputados.


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