Seca torna queimadas mais destrutivas

Seca torna queimadas mais destrutivas

postado em 03/09/2015 00:00
 (foto: Bruno Domingos/Reuters - 26/7/10)
(foto: Bruno Domingos/Reuters - 26/7/10)


As expansões urbanas e os longos períodos de seca causados pelas mudanças climáticas são alguns dos principais fatores responsáveis pelo agravamento das queimadas das florestas tropicais. A descrição da dinâmica que ameaça as matas brasileiras está em um estudo publicado na revista especializada BioScience. Uma equipe internacional de pesquisadores se dedicou a testar os efeitos do fogo sobre a vegetação durante seis anos e observou como o fenômeno pode afetar as florestas a longo prazo.
O trabalho foi realizado em áreas de Mato Grosso. Os pesquisadores selecionaram duas áreas de mata e realizaram queimadas controladas todos os anos em um delas e a cada três anos na outra. A capacidade de recuperação das árvores, que se manteve constante nos primeiros anos do trabalho, pareceu perder a força em 2007, justamente o ano de uma grande seca.
A falta de umidade, mostra o estudo, provoca queimadas mais longas, capazes de se estender por dias e noites. ;Uma das causas é que, quando você tem uma estação seca mais intensa, a quantidade de combustível para o fogo é maior, porque as árvores começam a perder mais folhas;, descreve Divino Silvério, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e estudante de pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB).
O estudo foi coordenado por Jennifer Balck, da Universidade de Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, e também teve a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Pastagem

Outra observação registrada no estudo é que a repetição de incêndios na mesma região leva à formação de uma pastagem temporária, que também serve de combustível para novas queimadas. O crescimento da grama pode representar um estímulo até três vezes maior para o fogo do que a folhagem que cobre naturalmente o solo das florestas. Há ainda o agravante da fragmentação das matas. ;Com as florestas mais fragmentadas, ocorre o efeito de borda, em que o fogo tem um efeito maior nos ambientes de borda;, alerta Silvério.
O trabalho ressalta que esse processo pode levar à redução do estoque de carbono das florestas tropicais em até 90%, eventualmente superando a ação dos sumidouros de carbono como antigas áreas verdes que atualmente reduzem o impacto ambiental de grandes emissores poluentes. ;Esses fatores tornam a conservação de florestas na região um assunto de extrema importância, porque elas tendem a ficar mais vulneráveis;, avalia o pesquisador.
O grupo de cientistas pretende continuar os experimentos com fogo para compreender melhor como as florestas reagem às queimadas em diferentes épocas do ano e sob diferentes variáveis. O objetivo dos pesquisadores é desenvolver um modelo de vulnerabilidade que possa ajudar a prevenir incêndios florestais na região. (RM)

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