Condutor identificado

Condutor identificado

» ISA STACCIARINI
postado em 03/09/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 24/8/15 )
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 24/8/15 )


A Polícia Civil identificou o provável motorista que atropelou e matou o ciclista Saturnino Aguiar de Paula Júnior, 47 anos. O suspeito é morador de Águas Claras e voltava de um bar na madrugada de 5 de junho quando atingiu o comerciante, entre as 4h50 e as 5h20, na Quadra 3 do Park Way. O veículo, um carro importado, passou por perícia e os investigadores aguardam o resultado do laudo. O delegado-chefe da 21; Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), Alexandre Nogueira, estuda mudar a natureza do crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, para dolo eventual, quando o autor assume o risco de morte.

O principal suspeito é um servidor público do Distrito Federal. Segundo Nogueira, em depoimento, o motorista confessou ter sentido a batida. ;Ele disse que, no momento do acidente, o carro bateu em alguma coisa que ele não conseguiu identificar e, por isso, prosseguiu;, explicou.

Para o cunhado de Saturnino, Eliel Bento Costa, 50 anos, a maior expectativa da família é de que a investigação policial se defina. ;Essa foi uma tragédia anunciada, porque, quando um motorista usa o carro sem ter condições, sem atenção devida, sem preparo ou bêbado, ele torna o veículo uma arma. Ele não é o detentor da vida. Um condutor precisa ter a consciência de dividir o espaço com outros veículos e integrantes da via;, ressaltou. Eliel explicou que a maior mágoa dos parentes é a omissão de socorro. ;O motorista abandonou um ser humano que poderia ser um ente querido dele. A única explicação que vejo para a pessoa se esconder é o estado de embriaguez.;

A coordenadora de comunicação da ONG Rodas da Paz, Ana Julia Pinheiro, explicou que no período do atropelamento de Saturnino havia outros dois casos de ciclistas mortos no trânsito sem identificação da autoria, em Ceilândia e Samambaia. ;Reivindicamos atenção, prioridade e agilidade nas investigações. Dos três casos, havia testemunhas do atropelamento de Ceilândia, que anotaram a placa do automóvel e passaram para a polícia, mas o autor não foi encontrado. Em Samambaia, testemunhas viram o mesmo carro que provocou o acidente circulando no local após o atropelamento. No caso do Saturnino, havia câmeras de segurança dos condomínios do Park Way, e as imagens foram entregues para a polícia;, contou.

Para Ana Júlia, o que mais chama a atenção, ainda, é não enxergar o crime no trânsito como violência extrema. ;O crime culposo é uma falsa concepção, porque uma morte no trânsito impossibilita a defesa da vítima, é utilizado um meio cruel e por motivo torpe;, acrescentou. No dia do velório de Saturnino, representantes de pelo menos seis grupos de pedal se despediram do ciclista. À noite, os grupos saíram de cinco pontos do Distrito Federal rumo à Catedral de Brasília, onde foi feita uma oração em homenagem à vítima.

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