Investigações põem Lula na mira da PF

Investigações põem Lula na mira da PF

Em pedido enviado ao Supremo, delegado diz que investigação precisa averiguar se ex-presidente foi ou não beneficiado pelo esquema de desvio de recursos da Petrobras

EDUARDO MILITÃO
postado em 12/09/2015 00:00
 (foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
(foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)


A Polícia Federal colocou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no meio da Operação Lava-Jato. No maior inquérito do caso de corrupção da Petrobras do Supremo, o delegado Josélio Azevedo Sousa, integrante do grupo de trabalho nos tribunais superiores, pediu para interrogar o petista. A solicitação foi feita ao ministro-relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski. Apesar de Lula não ter foro privilegiado, algumas pessoas estão sob a lupa da polícia e do Ministério Público na Corte por terem relação próxima com autoridades investigadas e com mandato, como senadores, deputados e ministros.

Azevedo ainda relacionou suspeitas segundo as quais Lula ;pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras;. Para o delegado, ele poderia ter obtido ;vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na estatal;. O ex-presidente lamentou o fato de a imprensa ter sido informada do pedido antes mesmo dele, e não comentou o caso.

Em 122 páginas, o delegado pediu a Teori mais 80 dias para concluir as investigações sobre o Inquérito n; 3989, nos quais há 39 investigados ; entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), deputados, boa parte da bancada do PP, senadores, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ex-parlamentares.

Assim como outros delegados de Brasília, Azevedo costuma tomar depoimentos de investigados e levantar documentos em Curitiba para subsidiar as investigações no STF. No pedido a Teori, ele descreve o cenário político da Operação Lava-Jato que se resume em quatro itens: as maiores construtoras brasileiras são acusadas de pagar propina para obter contratos na Petrobras; os partidos PT, PMDB e PP, ;todos da base aliada;, são acusados de indicar diretores para a estatal e viabilizar o esquema; o governo nomeou os diretores por acordo com os aliados, ;ou seja, em troca de apoio político;; nove ex-ministros de Estado são investigados ou citados como beneficiários do esquema; e o esquema durou por 10 anos, institucionalizado em 2003, segundo o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco.

;Os fatos evidenciam que o esquema que ora se apura é, antes de tudo, um esquema de poder político alimentado com vultosos recursos da maior empresa do Brasil;, afirma o delegado. No pedido a Teori, ele lembra que o então ;mandatário maior da nação; nesse contexto, era Lula. ;Nesse cenário, faz-se necessário trazer aos autos as declarações do então mandatário maior da nação, Luiz Inácio Lula da Silva.;

Dilma fora
O delegado afirma que a presidente Dilma Rousseff ocupou cargos de ministra das Minas e Energia, foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras e chefe da Casa Civil da Presidência no período investigado. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ela não pode sequer ser investigada por fatos alheios ao atual mandato presidencial. De acordo com Azevedo, está é a ;razão pela qual a atual presidente da República, Dilma Vana Rousseff, não integra a presente análise investigativa;.

Josélio pediu a oitiva de políticos do PP e do PMDB. No caso do PT, além de Lula, ele quer tomar depoimentos dos ex-ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Ideli Salvatti; dos ex-presidentes da Petrobras José Sérgio Gabrielli e José Eduardo Dutra; do ex-tesoureiro petista José de Filippi Júnior; do presidente do PT, Rui Falcão; de dirigentes da empresa Muranno e de representantes de empreiteiras que doaram para o partido, ;especialmente a UTC;, de Ricardo Pessoa.
Ao justificar a necessidade de depoimento de Lula, o delegado lista menções a ele feitas por delatores da Lava-Jato, como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. O ex-dirigente disse que o petista o ajudou a se manter no cargo quando tentou ser rifado do posto e precisou de ajuda até do PMDB.

O doleiro afirmou que houve uma conversa entre o falecido deputado José Janene, ex-líder do PP na Câmara, e Lula solicitando quitação de dívida com uma empresa de publicidade, a Muranno Brasil Marketing. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o dono da agência, Ricardo Vilani, confirmou, em outubro do ano passado, que recebeu dinheiro de Youssef em nome da Petrobras. ;A Muranno fez alguns trabalhos para a Petrobras. Ele (o doleiro) se apresentou como assistente do Paulo Roberto e que estava lá para tentar me ajudar a receber (a dívida);, declarou o empresário ao jornal.

;Eu não sei como comunicaram a você e não me comunicaram;

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República em resposta a uma jornalista que o acompanhava em um evento na Argentina

80 DIAS
Prazo que o delegado da PF Josélio Azevedo Sousa pediu ao ministro Teori Zavascki para concluir as investigações sobre o Inquérito n; 3989, nos quais há 39 investigados no STF



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