A sinuca da Casa Civil

A sinuca da Casa Civil

Com o desgaste cada vez maior de Mercadante, a presidente Dilma encontra dificuldades em definir o futuro da pasta

PAULO DE TARSO LYRA
postado em 12/09/2015 00:00

Bombardeado por setores do PT, por todo o PMDB e até pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, balança no cargo, mas sustenta-se graças a um frágil equilíbrio de forças. Apesar de desmentido categoricamente pelo Planalto ontem, por meio de uma nota oficial, não são poucos os cenários desenhados internamente no Executivo para promover uma troca de cadeiras na Casa Civil. Como o ministro da Defesa, Jaques Wagner ; o nome preferido de petistas, peemedebistas e de Lula ;, resiste à tentação de mudar pasta, Dilma fica com margem de manobra restrita.

A proposta de colocar uma pessoa neutra, sem vínculos partidários ; e há setores na Esplanada que defendem esse modelo ; poderia funcionar, mas não neste momento, segundo apurou o Correio. Como a proposta de reforma administrativa em curso no governo prevê a extinção da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Dilma, que não se sente à vontade para as negociações políticas, ficaria sem nenhum articulador no círculo mais próximo palaciano.

Por outro lado, concentrar tudo nas mãos da Casa Civil também é um processo arriscado. No início do primeiro mandato de Lula, essa tarefa era concentrada nas mãos de José Dirceu e a chamada micropolítica ficava a cargo de Waldomiro Diniz. Flagrado em um vídeo cobrando propina do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Waldomiro foi exonerado e Lula criou a SRI, transferindo para Aldo Rebelo a tarefa de fazer a coordenação política do governo, deixando para Dirceu a tarefa de tocar a máquina administrativa.

Reforma administrativa
Além disso, Mercadante tem negociado com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, os contornos da reforma administrativa e as opções para o governo enfrentar o atual momento de crise. Mercadante é peça-chave nessa engenharia, já que foi o principal responsável pela montagem do governo ; com seus erros e acertos, provocam os adversários dele ; e tem um quadro claro do que pode ou não ser mudado. Um governo tão descoordenado como o atual não pode se dar ao luxo de abrir mão desse conhecimento.

Por fim, existe uma questão crucial neste momento: qual o perfil para o cargo de chefe da Casa Civil neste momento? Como sobraram para Mercadante as críticas por todos os problemas da atual gestão, o temor dos candidatos ao posto é que o nomeado seja encarado como o ;salvador da pátria; que vai promover a guinada na gestão Dilma, o ministro capaz de, como disse o vice-presidente Michel Temer ; frase que lhe custou um desgaste gigantesco com a presidente Dilma ;, unir o país em torno de um diálogo nacional para superar a crise. ;Não existe um salvador em condições de mudar os rumos dessa administração;, reconheceu, constrangido, um integrante do primeiro escalão.

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