Petrobras recua a 2003

Petrobras recua a 2003

postado em 12/09/2015 00:00
 (foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters - 24/2/15
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(foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters - 24/2/15 )


Os investidores não perdoaram as ações da Petrobras, que ontem atingiram o menor preço em 12 anos. Diante do rebaixamento da estatal, que perdeu o grau de investimento pela classificação da Standard & Poor;s, a ordem no mercado foi reduzir ao máximo a exposição aos papéis da empresa. As ações ordinárias (ON), que dão direito a voto, desabaram 5,37%, cotadas a R$ 8,81. Já as preferenciais (PN), que estão na linha de frente para o recebimento de dividendos pagos pela companhia, caíram 3,89%, cotadas a R$ 7,66, o nível mais baixo desde 30 de setembro de 2003.

A avaliação dos especialistas é de que não há motivação para a compra de papéis da Petrobras. Não neste momento. Além de estar hoje no grupo de empresas consideradas especulativas e de ter perdido acesso a um mercado de crédito internacional de US$ 15 trilhões, a petroleira está sofrendo com a desvalorização dos preços do petróleo, que inviabiliza a exploração do pré-sal, apontado como uma mina de ouro até bem pouco. O barril do tipo Brent cedeu ontem 1,15%, cotado a US$ 48,33. Pelas projeções do Goldman Sachs, no quadro mais pessimista, o petróleo poderá cair a US$ 20. Nos cálculos dos especialistas, o pré-sal só se torna viável com o barril acima de US$ 50.

Bovespa cai
Com a forte queda das ações da Petrobras, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM) não resistiu. O Ibovespa, que mede a lucratividade dos papéis mais negociados no pregão paulista, encerrou a sexta-feira com queda de 0,22%, aos 46.400 pontos. Na semana, a bolsa acumulou perda de 0,21%, o que, no entender dos especialistas, foi um excelente resultado diante do rebaixamento do país. A explicação é de que os investidores já haviam antecipado a perda do grau de investimento do Brasil, por causa da resistência do governo em fazer o ajuste fiscal.

Entre os analistas, o maior temor é de que outras duas agências ; a Moody;s e a Fitch ; também retirem o selo de bom pagador do país, o que provocará uma fuga de recursos, já que os grandes fundos de pensão só podem investir em mercados com pelo menos duas chancelas de grau de investimento. Muitos desses fundos têm participação acionária relevante em companhias brasileiras. (RC)

US$ 20 bilhões podem sumir
Os investidores estrangeiros poderão se desfazer de até US$ 20 bilhões em papéis do governo e de empresas brasileiras se mais uma agência de classificação de risco retirar o selo de bom pagador do país. Pelo estatuto de vários investidores, só é permitido aplicar em economias e empresas com pelo menos dois selos de bom pagador. Como a Standard & Poor;s (S) já empurrou o Brasil para o grupo de especuladores, bastará a Moddy;s ou a Fitch seguir na mesma direção para que essa montanha de dinheiro evapore do país.



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