Durval confirma propina a Brunelli

Durval confirma propina a Brunelli

Em audiência na 7ª Vara Criminal do DF, o delator chama o réu de %u201Cbatedor de carteira%u201D e reforça que o ex-distrital sabia da origem ilícita do dinheiro

» ISA STACCIARINI
postado em 12/09/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

O delator da Operação Caixa de Pandora, Durval Barbosa, depôs na audiência de instrução do processo em que o ex-distrital Júnior Brunelli responde por corrupção passiva na 7; Vara Criminal do Distrito Federal. A oitiva ocorreu na tarde de ontem no Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios. Durval, ex-diretor de Relações Institucionais, chamou o ex-aliado de ;batedor de carteira; e confirmou que o ex-parlamentar recebia propina de forma consciente. O depoimento do réu e da testemunha de defesa Francenei Arruda Bezerra ficou para 20 de outubro. Brunelli acompanhou a audiência ao lado do advogado.

Durante a audiência, Durval revelou a existência de outros vídeos em que aparece Brunelli recebendo propina. Uma das imagens teria sido registrada na Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), mas o delator disse que excluiu as gravações ;sem querer;, pois acreditava ter cópias. Ele confirmou que, antes da campanha eleitoral de 2006, era o único responsável por arrecadar dinheiro ilegalmente.

Após o pleito, porém, ressaltou que apareceram outros captadores e pagadores, como o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia; o tesoureiro da campanha de Arruda, José Eustáquio de Oliveira; o suspeito de atuar como um dos operadores do esquema Paulo Roxo; o ex-chefe de gabinete da governadoria Fábio Simão; e o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel.

Quando entrou para o governo Arruda, em 2007, Durval informou que recebia 10% de cada empresa envolvida no esquema. A primeira arrecadação dentro do Executivo local chegou a R$ 3,5 milhões. Segundo ele, o dinheiro serviu para o processo de separação do ex-governador José Roberto Arruda com Mariane Vicentini. Em depoimento, revelou que Arruda teria de repassar R$ 20 milhões à ex-mulher, mas não soube precisar o quanto.

Durval acrescentou que os contratos de informática dentro do governo eram por meio de troca. Confirmou que não existia um acordo formal e repassava tudo sobre assunto a Lamoglia, responsável pela área. Sobre Brunelli, disse que o ex-deputado recebia propina constantemente. ;Ele era muito rebelde, nunca estava satisfeito com nada. Sempre pedia mais, era estourado. Brunelli tinha absoluto conhecimento da origem do dinheiro e arrochava Arruda, porque queria ser candidato a senador. Mas Arruda tinha outras três pessoas como prioridade, e Brunelli não estava na lista.;

Prova técnica
Na Operação Caixa de Pandora, o vídeo em que Brunelli pede proteção divina para Durval tornou-se um símbolo. O delator explicou que as imagens foram gravadas na Secretaria de Assuntos Sindicais em 2006, no próprio gabinete dele. Na ocasião, disse que passou R$ 5 mil ao ex-distrital. Também entregou dinheiro no banheiro da casa de Arruda.

Durante a audiência, o advogado de Brunelli questionou Durval sobre a demora na divulgação das gravações. O delator explicou que, embora os vídeos tenham sido feitos em 2006, ele apenas os tornou público em 2009 em razão da delação premiada. ;Arrependi-me de ter me aliado a tantos vagabundos e, me desculpa, você é um deles;, disse Durval a Brunelli. Em resposta, o ex-parlamentar apelou à religião. ;Eu sou cristão, mas, para fazer essa defesa, ele tem nos prejudicado muito utilizando esse vocabulário;, afirmou.

Para a promotora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Aurea Regina de Queiroz Ramim, não há dúvidas de que Brunelli aparece nos vídeos recebendo propina. ;Durval tem prestado inúmeros depoimentos em âmbito da delação premiada e mais, nessa oportunidade, ele corrobora tudo, dizendo como o esquema funcionava e a participação dos envolvidos. Os laudos são categóricos ao afirmar que não houve edição fraudulenta e adulteração das imagens. Durval é preciso ao afirmar o que a prova técnica já disse;, considerou.




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