Europeus vão às ruas a favor dos refugiados

Europeus vão às ruas a favor dos refugiados

Manifestações em países como França e Inglaterra reuniram milhares de pessoas. Líderes do continente participarão de encontro de emergência nesta semana para discutir a crise

postado em 13/09/2015 00:00
 (foto: AFP )
(foto: AFP )

Milhares de europeus saíram às ruas ontem para mostrar solidariedade aos imigrantes que chegam em massa ao continente. A pressão por melhor assistência a refugiados vindos principalmente da Síria, do Iraque e do Afeganistão se deu dois dias antes de uma reunião de emergência entre representantes da União Europeia. Em Bruxelas, eles discutirão medidas para enfrentar a maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial e que tem provocado reações distintas.


Em Londres, a manifestação contou com o apoio de diversas associações e organizações não governamentais e teve a participação do novo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, eleito ontem pela manhã (leia mais nesta página). O movimento partiu do Hyde Park, no centro da capital britânica, em direção ao gabinete do primeiro-ministro, David Cameron, e juntou 20 mil pessoas. O líder conservador anunciou que o país acolherá 20 mil sírios nos próximos cinco anos.


Cerca de 30 mil pessoas também se uniram em protestos em Copenhague e criticaram uma medida tomada recentemente pelo governo dinamarquês. A legislação do país ficou mais restritiva para os imigrantes. Limitou-se, por exemplo, em 50% o acesso a benefícios dirigidos a estrangeiros que pedem abrigo às autoridades.


Em contraste, os vizinhos alemães se mobilizaram para receber cerca de 40 mil sírios neste final de semana. Em torno de 4 mil militares foram destacados para auxiliar na acolhida. A Alemanha tem sido um destino atraente desde o mês passado, quando decidiu ignorar as normas de asilo impostas pela União Europeia e prometeu receber 450 mil pessoas.
Grandes quantidades de donativos também chegam ao país, e muitos alemães trabalham como voluntários para ajudar os refugiados. Há ainda cidadãos que abriram suas casas para famílias sírias desabrigadas. A política de portas abertas foi apoiada por milhares de pessoas que se reuniram, também ontem, em Hamburgo em uma demonstração pacífica de tolerância à diversidade.


O evento foi organizado em oposição a um protesto extremista que criticava a presença estrangeira no país e que foi banido durante a semana. Em Berlim, manifestantes levaram a bandeira síria com a inscrição ;Bem-vindos, refugiados;, enquanto protestos em Estocolmo, Helsinque e Lisboa atraíram milhares de pessoas.
Na França, o presidente François Hollande visitou um centro de abrigo de refugiados sírios perto de Paris. O governo se comprometeu a receber 24 mil migrantes. Cerca de 700 pessoas se reuniram em apoio aos refugiados em Nice, e, em Paris, uma centena de manifestantes foi à Praça Trocadero para homenagear as quase 3 mil pessoas que morreram, neste ano, tentando chegar à Europa pelo mar. Mais de 430 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo para entrar no continente desde janeiro, de acordo com a Organização Internacional para a Migração. A União Europeia anunciou que pretende estabelecer cotas para distribuir cerca de 120 mil imigrantes entre as 25 nações do grupo.

Fundo canadense
O Ministro do Desenvolvimento Social canadense, Christian Paradis, criou um fundo de emergência de US$ 75 milhões para auxiliar os refugiados. As doações devem ser enviadas a territórios de transição, por onde os migrantes precisam passar para deixar o seu país de origem.


A maioria dos migrantes tem chegado da Síria pela Turquia e pela Hungria, onde já ingressaram mais de 180 mil sírios. Na sexta, 3.023 pessoas entraram na Hungria, todas desejando viajar por meio da Áustria para países do oeste europeu.
Outros optam por ingressar na Europa pela Grécia, um perigoso percurso marítimo, onde dezenas de milhares de pessoas morreram a bordo de barcos clandestinos superlotados. Quatro crianças e um adulto desapareceram, ontem, em um naufrágio próximo à ilha grega de Samos, ao leste do Mar Egeu.

Leste contrário
Em países do leste europeu, os protestos de ontem tinham como alvo os imigrantes. Cerca de 5 mil manifestantes se reuniram em Varsóvia, capital da Polônia, exibindo faixas com inscrições como ;O Islã é a morte da Europa;. Outras manifestações do mesmo tipo reuniram centenas de participantes na República Checa e na Eslováquia. As manifestações ganharam força depois de o polêmico primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, pedir um pacote de ajuda da União Europeia a países que têm territórios que funcionam como uma espécie de transição para a Europa. Segundo ele, quem está nesses locais não corre mais riscos. ;Essa gente não foge do perigo, já fugiram w não deveriam mais temer por sua vida (;) Querem uma vida alemã, quem sabe, uma vida sueca;.

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