Crise econômica afeta novos chefs

Crise econômica afeta novos chefs

postado em 13/09/2015 00:00
 (foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
(foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)

Enquanto a baixa econômica faz saltar os preços de itens básicos da cozinha, restaurantes encarecem serviços para cobrir as despesas e, consequentemente, perdem clientes em um momento de fragilidade nos caixas. O mercado dos alimentos e o de moradia respondem por mais da metade da inflação registrada em 2015, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho deste ano. A pesquisa revelou que o preço dos alimentos subiu 6,61% de janeiro a junho ; a maior taxa semestral registrada em 12 anos. Entre os penalizados pela tendência econômica estão, além dos consumidores, estudantes de gastronomia e aspirantes a chefs, que se deparam com portas de cozinhas lacradas em um momento decisivo para a carreira.

;Há quatro anos, era impossível encontrar nas entrequadras espaços disponíveis para alugar. Hoje, um rápido olhar denuncia que várias lojas estão fechadas, na grande maioria, restaurantes;, observa o professor e coordenador do curso de gastronomia do Centro Universitário Iesb, Sebastian Parasole, 43 anos, sobre o efeito visível da crise dos alimentos em Brasília. Segundo o professor, o engasgo dos restaurantes é evidente e acaba por desestimular aspirantes a chefs de cozinha a seguirem o sonho de abrir o próprio negócio. ;Os cozinheiros iniciantes recebem um salário em torno de R$ 1.200, que costuma ser menor que o valor investido nos estudos;, aponta Parasole.

O caminho que separa os estudos do avental é, no entanto, árduo. Na experiência de Parasole, apenas 20% dos alunos de gastronomia atuam na área após concluir o curso. O professor frisa que, apesar do crescimento das opções de lazer e entretenimento em Brasília, a tendência agora é que os restaurantes fechem. ;A crise prejudica os iniciantes em todos os sentidos. Não existe espaço para aqueles que querem fazer pratos mais elaborados, então muitos evadem para São Paulo e Rio de Janeiro.; Apesar dos desafios envolvidos na carreira, o professor acredita que a graduação é o momento de explorar habilidades que serão cobradas ao longo da trajetória profissional. ;Não se forma um chef: é preciso passar anos trabalhando nisso. Mas quem faz o que ama não desiste;, conclui.

Escolhas inteligentes

;O empresário não é um vilão, é um matemático;, diz o sócio-proprietário da confeitaria Belini, Luiz Carvalho, 33 anos, que trabalha com estratégias de redução de gastos para minimizar os efeitos da crise na loja. ;A clientela está deixando de comprar por impulso, as pessoas estão apreensivas e se monitoram constantemente;, explica ele, que vê a redução no insumo dos caixas como consequência natural do comportamento cauteloso da freguesia. O empresário acredita que, apesar de cativarem entusiastas, os cursos de gastronomia em Brasília têm preços salgados e não suprem a experiência exigida dos que pretendem seguir carreira. ;Como formação, talvez o mercado seja a melhor escola. Uma maneira de conciliar teoria e prática é investir nos estágios;, ele destaca. Entre os 120 funcionários da Belini, dois são estagiários de confeitaria.

Vick Neddermeyer, 29 anos, conseguiu um diploma em gastronomia pelo Iesb em 2004 e acredita que as oportunidades de estudo no DF não dão ao aluno a bagagem necessária para ingressar no mercado de trabalho. Ele estagiou durante a maior parte da graduação e está à frente do serviço de bufê L;é Pice Food Lab. Para ela, a empresa não foi afetada pela crise e a criatividade torna-se um fator decisivo para manter os clientes interessados nos produtos oferecidos.



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