Empreiteiro pede sessão fechada

Empreiteiro pede sessão fechada

O empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC fala hoje à CPI da Petrobras. Assunto: propina para campanhas eleitorais

JOÃO VALADARES
postado em 15/09/2015 00:00
 (foto: Marcos Bezerra/Futura Press - 14/11/14)
(foto: Marcos Bezerra/Futura Press - 14/11/14)


O dono da empresa UTC, Ricardo Pessoa, que delatou ter repassado pelo menos R$ 62 milhões em propina para irrigar de maneira travestida de legalidade campanhas de 18 candidatos de seis partidos, incluindo legendas oposicionistas e da base de sustentação do governo, vai prestar depoimento hoje na CPI da Petrobras. No esquema exposto pelo empreiteiro, são citados políticos do PT, PSDB, PTB, PP, PMDB e PSB. Na tarde de ontem, a defesa do empresário encaminhou ao colegiado um pedido para que o depoimento fosse realizado em sessão fechada, mas, até o fechamento desta edição, ainda não havia decisão sobre isso.

Em 27 depoimentos prestados ao Ministério Público Federal (MPF), Pessoa afirmou que fez repasses de R$ 7,5 milhões para a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e R$ 2,4 milhões, em 2006, para a do ex-presidente Lula.

Há duas semanas, o empresário prestou depoimento na Justiça Federal do Paraná. No entanto, não mencionou os nomes de políticos detentores de foro privilegiado. Nos depoimentos de delação premiada, além do montante de propina que teria sido carimbado como doação legal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o empreiteiro teria mencionado ainda o repasse de R$ 3,6 milhões para o caixa 2 do PT.

Um pagamento de R$ 250 mil para a campanha do atual chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, quando ele disputava a eleição para o governo de São Paulo, aparece na planilha. Tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, teria recebido os recursos destinados à disputa eleitoral.

Em um dos depoimentos de delação premiada, Pessoa contou que o dinheiro da propina era entregue diretamente ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, um dos presos da Operação Lava-Jato. Ele declarou que os encontros para entrega do suborno ocorriam na sede da UTC. O empresário, inclusive, entregou aos investigadores vídeos do circuito interno para provar que o petista foi diversas vezes ao local.

Ele ressaltou que, quando o ex-tesoureiro ia buscar o suborno, sempre avisava antes. ;Todas as vezes em que Vaccari foi buscar dinheiro em espécie, havia prévio aviso, seja em reunião anterior ou por meio de mensagem em que Vaccari mencionava que buscaria o pixuleco;, disse.

Segundo relatos do empresário, receberam doações da UTC o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (R$ 15 milhões); o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (R$ 3,2 milhões); o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (R$ 2,6 milhões); e o secretário municipal de Saúde de São Paulo, José de Fillipi (R$ 750 mil). Todos atestam a legalidade das doações e afirmam que os recursos recebidos foram aprovados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador Fernando Collor (PTB-AL), já denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), recebeu, no total, R$ 20 milhões. São citados ainda, entre outros, os senadores Aloysio Nunes (PSDB), vice na chapa do senador Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais do ano passado, Benedito de Lira (PP) e o deputado Julio Delgado (PSB).

Afastamento
Integrante da CPI da Petrobras, o deputado Julio Delgado (PDB-MG) afirmou que torce para que Ricardo Pessoa fale hoje na CPI da Petrobras. Ele voltou a dizer que, após fazer seus questionamentos, deve deixar de integrar o colegiado. ;Eu quero que ele esclareça tudo o que disse. Não posso ser colocado neste meio. Não posso pedir para colegas citados se afastarem e eu permanecer integrando a CPI. É uma questão de coerência;, afirmou.

O deputado disse que, se existir uma retratação, não haverá motivo para se afastar. ;Agora, se após o depoimento, ainda pairar algum tipo de dúvida sobre a minha conduta, eu faço o desligamento;, comprometeu-se.

;Todas as vezes em que Vaccari foi buscar dinheiro em espécie, havia prévio aviso, seja em reunião anterior ou por meio de mensagem em que Vaccari mencionava que buscaria o pixuleco;
Ricardo Pessoa, dono da empresa UTC

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