Propostas decepcionam

Propostas decepcionam

postado em 15/09/2015 00:00

O tão aguardado pacote de ajuste fiscal que o governo anunciou ontem com corte de R$ 26 bilhões, dos quais R$ 8,6 bilhões de investimentos (33%), e com a volta da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), decepcionou especialistas.


A expectativa é que, depois de todos os detalhes serem conhecidos, os mercados reajam negativamente à proposta, ancorada em aumentos impostos e medidas que dependem de aprovação do Congresso Nacional.


;Foi muito ruim. O governo não apresentou uma estratégia de médio e longo prazos e fez uma proposta de CPMF sem partilha para estados e municípios, que nunca vai passar no Congresso. Ficou a impressão de que só tentaram tapar um buraco;, avaliou a economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, de Washington, e diretora da consultoria Galanto/MBB.


;Todo mundo sabe que o problema estrutural do Orçamento é a Previdência Social e o governo não faz nenhuma menção à estratégia para reduzir o deficit dessa área. Fica a impressão de que eles costuraram a proposta às pressas porque precisavam fazer o anúncio;, comentou. Para ela, o governo precisava dar um sinal mais claro de que pretende reduzir o endividamento, que é uma medida prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal e nunca foi posta em prática.
O diretor do Grupo de Pesquisas Econômicas para América Latina do Goldman Sachs em Nova York, Alberto Ramos, lamentou o fato de a maioria das medidas anunciadas ontem dependerem de aprovação do Congresso, pois isso traz um ;risco expressivo; para a implementação.

Baixa popularidade
;Dado o baixo nível de popularidade do Executivo e da base de apoio cada vez mais fragmentada no Congresso, esperamos resistência significativa, principalmente, quanto à CPMF;, alertou. ;O anúncio não teve medidas fiscais de médio e de longo prazo para segurar o crescimento previsto para as despesas obrigatórias, a exemplo da reforma na Previdência;, completou.
Monica lembrou ainda que o rebaixamento do país pela Standard & Poor;s, na semana passada, ocorreu porque a agência norte-americana identificou ;muitos problemas na execução da política fiscal do governo;.


O economista-chefe para mercados emergentes da consultoria britânica Capital Economics, Neil Shearing, também criticou as medidas apresentadas pelo governo e afirmou que ;não apresentam grandes mudanças;. ;O anúncio mostra que o governo está preso na armadilha da austeridade. A economia enfraquecida está aumentando a dificuldade de geração de receita;, afirmou.(RH)

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