ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 15/09/2015 00:00
Trincheiras da cidadania expostas

Quando, na agonia em se transformou a atual administração federal, o governo anuncia solenemente que ;vai cortar na própria carne;, não tenham dúvidas: a carne será a sua. Todavia, não há o que temer. O escalpe retirado dos cidadãos será feito com talheres de prata. Para isso, o Palácio do Planalto já destinou R$ 215 mil para a compra desses utensílios, por meio de pregão eletrônico que acontece hoje. O instituto que permite ao governante da hora escolher seu sucessor, como se o poder fosse hereditário, custa os olhos da cara para os brasileiros.

Reza a lenda que o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia quebrou o Banespa, então o maior banco da América Latina, apenas para eleger Luiz Fleury, seu continuador no Bandeirantes. Hoje, essa façanha parece coisa pequena, comparada ao que foi feito com o país, quando Lula resolveu instalar seu poste para iluminar o Brasil. A conta ainda não fechou e talvez leve ainda uma geração inteira até que se conheça, ao certo, o quanto custou aos brasileiros a estratégia clarividente.

A nova derrama em impostos que será anunciada para acudir as contas públicas, carece, contudo, de detalhe essencial que lhe concede legitimidade oficial: a credibilidade. Perdido em algum canto do espaçoso palácio, esse item fundamental retira dos governantes a autoridade moral para administrar o país e, sobretudo, cobrar tributos. O salto dado nos valores da folha de pagamento da máquina inchada passou de R$ 75 bilhões, 10 anos atrás, para R$ 240 bilhões. Atualmente, diz muito, mas não o suficiente para que se entenda o passivo relegado à sociedade pelo Estado. A renovação da frota de carros do Legislativo por carros de alto luxo também é um detalhe nessa conta. Como é detalhe ainda os R$ 300 milhões gastos em auxílio-moradia para os magistrados.

De detalhe em detalhe, a ferida aumenta e a hemorragia idem. O preço pago pelo sonho de o país de conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU ainda não foi contabilizado também. Da mesma forma, não será agora que os cidadãos conhecerão o quanto custaram para a nação o silêncio e a omissão de entidades como OAB, ABI, CNBB, UNE e outras do gênero que, outrora, eram conhecidas pela importância que tinham como trincheiras da cidadania. Essa, sem dúvidas, não tem preço.


A frase que foi pronunciada

;Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de ter roubado!”
De Rui Barbosa para os corruptos


Ódio
; Na comissão de frente foram alguns funcionários da Presidência da República para Teresina, organizar a visita da presidente. Ao ver o veículo identificado, a fúria da população deixou os funcionários temerosos inclusive pela própria vida. Agora, sim, deu para entender a muralha que separou o povo da presidente. Quem determinou sabia o que estava fazendo.

Pulverizar
; Senadoras usam a cota da impressão para divulgar por todos os cantos do país a Lei Maria da Penha. A senadora Vanessa Grazziotin avisa que quem precisar da lei é só pedir.

Catalizador
; A violência doméstica e a contra a mulher têm oscilações nas estatísticas. O certo é que o álcool e os ciúmes são fatores que desencadeiam as agressões.

Herói
; Se o cigarro causou a morte de milhões de pessoas pelo mundo, o álcool também. Seja por violência ou acidentes de trânsito. Será que alguém com a coragem do senador José Serra, que enfrentou as multinacionais do fumo, determinaria, no Brasil, regras, além da lei seca, para diminuir o consumo do álcool?

Memória
; Vale o registro de que a delegada Rosmary Corrêa foi a primeira a instalar uma delegacia especial que atendesse só as mulheres. Gislaine Doraide Ribeiro Pato, delegada da mesma época queria que os maridos soubessem que atacar a própria esposa era crime e eles seriam tratados como criminosos se o fizessem. Mesmo com todo o aparato da política pública os números apontam: a cada duas horas, uma brasileira é morta em situação violenta.


História de Brasília

A melhor nota de elogio da semana foi num jornal do Rio, sobre o ministro Pedroso Horta, e começa assim: ;A estrela do ministro Pedroso Horta voltou a brilhar na constelação do governo, readquirindo o fulgor dos dias... etc;. Daí por diante, ninguém consegue esconder a saudade do estilo do Joaquim de Azevedo Marques, fundador do Correio Paulistano. (Publicado em 24/8/1961)






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