Opositor pede velas e padre no cárcere

Opositor pede velas e padre no cárcere

postado em 15/09/2015 00:00
 (foto: Javier Casella/AFP)
(foto: Javier Casella/AFP)



No retorno ao presídio militar de Ramo Verde, onde esteve detido por um ano e meio à espera de julgamento, o líder oposicionista venezuelano Leopoldo López ; condenado na semana passada a 13 anos e nove meses ; foi transferido para uma cela menor e sem iluminação. A denúncia foi feita ao jornal El Nacional pela mãe de Leopoldo, Antonieta Mendoza, que transmitiu pela imprensa dois pedidos do filho: por velas e pela visita de um padre.

;Quando ele foi levado de novo para Ramo Verde, descobriu que não estava mais na mesma cela de antes;, relatou Mendoza. ;A nova tem apenas 2m x 2m, menor que a anterior. Também não tem luz, por isso ele está pedindo velas;, completou. Segundo a mãe, López encontrou os poucos pertences que mantém no cárcere, como algumas fotos, atirados no chão. ;Ele reclamou com o coronel e ouviu como resposta que ele (o oficial) é o diretor do presídio e pode fazer essas coisas quantas vezes quiser.;

Mendoza protestou em especial contra as restrições impostas à locomoção e às comunicações do filho com a família. O líder do partido Vontade Popular, condenado por supostamente ter promovido violência em protestos antigovernamentais, assim como por conspiração, seria vigiado por 14 câmeras de segurança. ;Tudo o que ele faz é sob custódia dos guardas;, denunciou. ;Ele só pode conversar conosco (a família) por cinco minutos e, obviamente, as chamadas são sempre gravadas.;

;Ele deve ter o direito a manter contato com os demais presos e o regime de visitas deve ser ampliado;, reivindicou Mendoza, com menção em particular à possibilidade de se entrevistar com um padre. De acordo com ela, López tem dormido menos de cinco horas por noite. ;Apagam as luzes às 19h30 e o despertam às 5h30;, relatou.

O governo do presidente Nicolás Maduro não comentou de imediato as denúncias de Antonieta Mendoza, mas divulgou comunicado no qual protestou contra o governo chileno. No fim de semana, a chancelaria de Santiago pediu a Caracas que observe ;as garantias judiciais do devido processo;. Embora tenha ressaltado que o Chile ;reconhece a autoridade; da Justiça venezuelana, o texto foi duramente criticado como ;intromissão nos assuntos de um Estado soberano;.

Crise diplomática
Em outra frente externa de crise, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, apresentou protesto formal ante a Venezuela pela segunda violação de espaço aéreo em 24 horas. O major-general Carlos Bueno, comandante da Força Aérea Colombiano, afirmou que um avião militar venezuelano ingressou 10km sobre o departamento colombiano de Vichada (leste), às 22h09 de domingo (0h19 de ontem em Brasília), antes de retornar. No sábado, os militares colombianos haviam denunciado a invasão de duas aeronaves do país vizinho sobre o departamento de Guajira, no extremo nordeste.

Os dois países chamaram de volta os respectivos embaixadores, no mês passado, depois que Caracas fechou setores de fronteira em resposta a um incidente armado atribuído a grupos criminosos do país vizinho. Desde então, 1.482 colombianos foram deportados e mais de 20 mil retornaram ao seu país, temendo represálias. Em resposta às denúncias de Bogotá, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez acusou o governo de Santos de ;inventar incidentes; para comprometer as negociações destinadas a acertar um encontro em que os dois presidentes discutiriam a crise.

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