Preso na Suíça, Marin deve aceitar extradição para EUA

Preso na Suíça, Marin deve aceitar extradição para EUA

postado em 15/09/2015 00:00
 (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 18/4/13)
(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 18/4/13)

Preso em Zurique, José Maria Marin, ex-presidente da CBF, pode aceitar a extradição aos Estados Unidos. Nesta semana, a Justiça da Suíça anunciará a resposta sobre extraditar ou não o brasileiro, como tinham pedido os norte-americanos. Apesar de caber uma apelação, a defesa considera que, se a decisão dos suíços for ;forte;, ele abrirá mão de um recurso.

Marin e outros seis cartolas foram detidos em 27 de maio na cidade suíça, a pedido da Justiça americana. Um dos dirigentes, Jeff Webb, aceitou ser extraditado aos EUA. Mas os demais, entre eles Marin, optaram por questionar o processo. No caso do brasileiro, os advogados apresentaram uma defesa baseada no fato de que não existia base legal para a extradição e que as provas eram ;frágeis;.

Segundo o inquérito dos americanos, Marin teria pedido que parte da propina relativa à Copa do Brasil fosse direcionada a ele, em uma conversa gravada com o empresário José Hawilla. Ele também aparece quando uma das empresas que comprou os direitos para a Copa América indica a distribuição de propinas para os dirigentes sul-americanos.

Caso os suíços optem pela extradição, Marin ainda poderá recorrer, o que deve arrastar o processo até o fim do ano. Inicialmente, os advogados indicaram que essa seria a estratégia. Mas, agora, montaram pelo menos dois cenários diferentes. Se sentirem que a sentença é ;frágil;, um recurso de fato vai ser apresentado e vão recomendar a Marin que ;aguente firme; na prisão por mais alguns meses.

No entanto, se na decisão os suíços derem sinais de que não estão dispostos a reconsiderar o caso, a defesa do brasileiro acredita que apresentar um recurso seria apenas ;perda de tempo; e somente prolongaria a situação de Marin na prisão de Zurique.

O brasileiro, de 84 anos, tem um apartamento em Nova York e, pela lei, poderia negociar uma fiança milionária com os EUA que permitisse a ele ficar em prisão domiciliar enquanto o julgamento ocorre.

Uma fonte que esteve recentemente com o brasileiro contou que o cartola está ;ansioso; diante da aproximação da data da decisão, que pode ocorrer a partir de hoje, e quer ;mudar de ambiente;. Sem falar inglês ou alemão, Marin se comunica pouco na prisão.

Quem esteve com Marin conta que ele já não fala mais de futebol. Ri pouco, anda sério e de cabeça baixa. Os visitantes ainda tentam animar o cartola com histórias e dizem que o foco no Brasil já mudou para a CPI do Futebol e a situação de Marco Polo Del Nero.

Mais cartolas serão indiciados


A Justiça dos Estados Unidos revelou que as investigações conduzidas sobre o escândalo de corrupção na Fifa levarão a novos indiciamentos e que dirigentes esportivos que ainda não foram citados serão formalmente acusados nas próximas semanas, a partir das evidências coletadas nos últimos três meses. Em 27 de maio, a pedido de Loretta Lynch, a Justiça suíça prendeu sete cartolas em Zurique.

Nomes como o de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, atual comandante da entidade, até agora não foram citados nas investigações. Mas descrições que apenas poderiam ser preenchidas pelos dois dirigentes fazem parte das acusações publicadas na imprensa. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, dois funcionários da CBF, da Fifa e da Conmebol também estão sob investigação. ;Expandimos nossa investigação desde maio e poderemos abrir novos casos contra pessoas e entidades;, declarou Loretta Lynch, em entrevista ontem na Suíça.

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