Parece, mas não é

Parece, mas não é

Semelhante ao ipê, o pau-de-rosa é encontrado em menor quantidade e pode confundir até o observador mais atento. Saiba quais são as diferenças entre um e outro e aprenda a identificá-los

» Roberta Pinheiro
postado em 15/09/2015 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press
)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )





No auge da seca, quando a poeira parece não ter fim, o Planalto Central ganha vida e cores. Diferentes árvores colorem a capital do país. Entre agosto e setembro, uma em específico pinta a cidade de tons cor-de-rosa. Engana-se quem acha que é um típico ipê. De longe, elas até se parecem, mas a planta de flor rosa é outra e seu nome não poderia ser diferente: pau-de-rosa. Ela não é nativa do Cerrado, mas é muito usada para ornamentar as ruas e avenidas de Brasília.

Chama a atenção a diversidade de denominações pela qual a planta é reconhecida. Além de pau-de-rosa, pode ser chamada de nó-de-porco, grão-de-porco, cega-machado, quebra-facão e resendá-nacional. A multiplicidade talvez se explique pela abrangência de regiões onde a árvore é encontrada. Muito presente na região Centro-Oeste, a pau-de-rosa também ocorre no Nordeste do país (veja mapa). Cientificamente e em qualquer desses pontos no mapa, ela é classificada como Physocalymma sacaberrimum Pohl.

Como não costuma aparecer em grande quantidade, o pau-de-rosa se destaca e salta aos olhos de quem passa, seja de carro, de ônibus ou a pé por diferentes ruas de Brasília. Exemplares podem ser vistos ao longo da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA) e do Eixão, tanto Sul quanto Norte. Para garantir uma foto da floração, vale a pena até sujar os pés com a poeira. As flores da árvore têm um miolo em tons mais escuros de roxo e as pétalas, cor-de-rosa mais claro. Ela é uma planta de médio porte, cuja altura varia de cinco a 10 metros.

De madeira muito dura e pesada, a planta tem tronco espesso e escuro, o que contrasta com a delicadeza da folhagem. Por outro lado, é empregada para marcenaria, serviços de torno, construção civil e para obras externas. Além disso, é muito usada na arborização, sendo, inclusive, adequada para uso sob fiação elétrica.

Apesar de pertencer a uma família diferente do ipê (veja Qual é qual), a cega-machado e a árvore tipicamente brasiliense apresentam semelhanças. ;O aspecto, quando florido, e as cores lembram o ipê, mas o pau-de-rosa não tem a mesma formação de cacho das flores. A arquitetura da árvore é diferente. Os galhos do ipê apontam para o alto. A outra, para a lateral, são estratos;, explica o professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília, Luciano Coelho Milhomens.

Curiosidade
entre espécies

No Brasil, existe uma outra árvore chamada pau-rosa. Ela é uma espécie da flora brasileira ameaçada de extinção, categorizada como ;em perigo;. Isso significa que o manejo da planta em seu hábitat está proibido. A extração do óleo essencial da Aniba rosaeodora - considerado uma das matérias-primas do perfume Chanel n;5 - só é permitida quando proveniente de plantios. Atualmente, a única plantação com registro no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fica em Maués, município do Amazonas.


Qual é qual


Pau-de-rosa
Família Lythraceae
Nome científico: Physocalymma scaberrimum
Altura: 5 a 10 m - Galhos apontam para a lateral


Ipê-roxo

Família Bignoniaceae
Nome científico: Tabebuia heptaphylla
Altura: 10 a 20 m - Galhos apontam para o alto



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação