Um país, um currículo

Um país, um currículo

MEC pretende unificar 60% do conteúdo ministrado nas salas de aula brasileiras nos ensinos infantil, fundamental e médio. A proposta de mudança fica sob consulta, críticas e sugestões da população pelo período de nove meses

Augusto Berto Especial para o Correio
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press - 6/8/15)
(foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press - 6/8/15)


O Ministério da Educação (MEC) apresentou ontem a primeira versão da Base Nacional Comum Curricular. O documento define como serão 60% do conteúdo ministrado nas 190 mil escolas de ensinos infantil, fundamental e médio do Brasil. Os outros 40% serão de responsabilidade de estados e municípios, destinados ao aprendizado de literatura, geografia e história da própria região.

As mudanças práticas não são imediatas. A proposta preliminar do governo estará disponível na internet para críticas e sugestões de pais, professores e alunos. A expectativa do MEC é finalizar o currículo nacional até 24 de junho de 2016.

;Ainda não é nada oficial. O mais importante nesta fase do projeto é estimular o debate e a construção de ideias para alterar o documento. A sociedade tem a chance de definir as bases para o aprendizado no Brasil. Quanto mais participação, melhor será a proposta final;, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine.

O documento foi elaborado por 116 especialistas em diferentes áreas de conhecimento e divide-se em quatro áreas: linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. Durante coletiva de imprensa, a integração entre as áreas de conhecimento foi citada quatro vezes em 10 minutos por Janine, como ponto determinante para o sucesso da proposta.

;Conhecimentos articulados são muito mais produtivos. O plano oferece ao professor o caminho de integrar várias matérias e tornar o ensino mais interessante;, analisou o ministro. A proposta inicial do currículo prevê a introdução do ensino de educação financeira, sustentabilidade e direitos humanos nas salas de aula. Janine garantiu que o projeto não espelha a ;posição do MEC; e está livre de ;doutrinação, orientação ideológica ou de gênero.;

Para Manuel Palácios, secretário de Educação Básica, unificar parte do ensino nas escolas de todo o país pode ajudar na formação de professores e melhorar a qualidade do material didático oferecido aos alunos. O governo acredita que o plano de ensino vai facilitar a vida dos estudantes em exames estaduais ou nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). ;O aluno vai ganhar uma referência do que importa na educação básica. Ele terá uma clareza do que pode cair no exame;, explicou Palácios.

Equilíbrio
Especialistas em educação percebem avanços com a adoção da Base Nacional Comum Curricular. O conteúdo unificado para as escolas deve ;anular a roleta russa que é nascer no Brasil;, como definiu Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo da ONG Todos pela Educação.

;Hoje, se você nasce numa região que tem a educação mais organizada, se dá bem; mas, se nasce numa localidade menos favorecida, está abandonado. Dar o mesmo norte a todos os professores vai ajudar a equilibrar o ensino no país;, analisa Falzetta.

O maior desafio que o governo enfrentará é ouvir a população e concluir o projeto em apenas nove meses. ;Se a comunidade se sentir representada, naturalmente, a estrutura do ensino vai se transformar;, disse Falzetta. Em comparação, a Austrália demorou oito anos para fazer a mesma alteração no currículo educacional. Nada que tire a confiança do ministro da Educação. Ele afirmou que a experiência e os possíveis erros australianos serão tomados de exemplos no Brasil.

;Hoje, se você nasce numa região que tem a educação mais organizada, se dá bem; mas, se nasce numa localidade menos favorecida, está abandonado;

Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo da ONG Todos pela educação


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