Para OCDE, Brasil piorou

Para OCDE, Brasil piorou

postado em 17/09/2015 00:00
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) piorou significativamente as previsões para a atividade econômica no Brasil. A situação externa ; desaceleração da China e queda no preço das commodities ; e problemas internos que vão da questão fiscal à incerteza política fortalecem o pessimismo da OCDE com o país. De acordo com a economista-chefe da instituição, Catherine Mann, é preciso que o governo ;arrume a casa; para retomar o crescimento econômico.

A economista-chefe da OCDE ressalta que o Brasil sofre deterioração acentuada porque também enfrenta ambiente interno desfavorável. ;Não são apenas as commodities e o quadro externo. Há problemas internos. Há deterioração da posição fiscal, alguma turbulência no mercado relacionada à Petrobras e incerteza política;, enumerou. Catherine lembrou que a agência de classificação de risco Standard & Poor;s rebaixou a nota do país para grau especulativo na semana passada e afirmou que: a surpresa com o rebaixamento pode ;ter acordado; o governo para o problema.

Essa conscientização, no entanto, não impediu que a entidade aprofundasse a expectativa de recessão para este ano de queda de 0,8% ; cenário previsto em junho ; para recuo de 2,8%. A expectativa da OCDE é de que a recessão deve se manter no próximo ano. Até junho, a OCDE mantinha a previsão otimista de que o Brasil poderia crescer 1,1%. Três meses depois, diante da deterioração do quadro, a aposta é de contração do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 0,7% em 2016.

Com a piora do cenário, a organização agora está mais pessimista que os economistas ouvidos semanalmente pelo BC. Na pesquisa Focus, divulgada esta semana, a mediana das previsões para o PIB mostra contração de 2,55% em 2015 e retração de 0,6% em 2016.

No relatório Interim Economic Outlook, a OCDE explica que o cenário para os emergentes em 2015 sofreu deterioração desde junho diante especialmente dos sinais de fraqueza da China, o que reduz a demanda global por importações e ainda diminuiu o preço das commodities. Para os emergentes, o efeito China acabou anulando a maior tração apresentada pela economia dos Estados Unidos.

Para piorar, alguns países sofrem com problemas internos. A organização dá como exemplo o Brasil e a Rússia, ;que experimentam recessão profunda combinada com inflação relativamente alta;. Além disso, a entidade cita que ;o deficit em conta corrente e fiscal apresentaram ampliação para elevados níveis no Brasil e na África do Sul;. Para 2016, a instituição diz que grandes exportadores de matérias-primas, como o Brasil e a Rússia, ;podem ver alguma melhora se os preços das commodities não caírem ainda mais;.

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