Obstáculo de R$ 200 bi

Obstáculo de R$ 200 bi

postado em 17/09/2015 00:00
A projeção de superavit primário do governo brasileiro para os próximos quatro anos representa esforço fiscal de R$ 200 bilhões. O cálculo é do economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas. Ele afirma que nunca foi feito um ajuste dessa magnitude depois da Constituição de 1988 sem recorrer a aumentos da carga tributária. ;Não será diferente. O problema é que mais impostos sem reformas estruturais não resolvem o problema fiscal do país;, advertiu.

Para Almeida, é preciso rever as desonerações dadas pelo governo no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, que levaram a uma perda de receita de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). ;Se o governo voltasse atrás da ampliação do Simples, da redução dos encargos sobre folhas salariais e da diminuição dos impostos da cesta básica, evitaria a perda de R$ 61 bilhões de receita. Mas ninguém quer mexer com isso;, criticou.

O economista acrescentou que, nas despesas de custeio, 85% do dinheiro do Tesouro Nacional vão para programas de transferência de renda, Previdência Social incluída. Quando se acrescenta educação, a proporção sobe para 90%.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também discordou de que a carga tributária possa resolver os problemas fiscais do país. ;Não é aumentando imposto que vamos conseguir uma solução. Precisamos fazer mudanças estruturais, temos de corrigir o problema da Previdência e a gestão da máquina pública. A carga tributária no Brasil é uma das mais altas do mundo sem retorno de benefícios correspondentes;, reclamou.

Para Andrade, a solução passa inevitavelmente por corte de gastos do governo. ;É preciso fazer uma reforma administrativa, reduzir ministérios, reduzir o número de trabalhadores comissionados. O governo tem onde cortar. Pode não querer, mas tem;, salientou. (CP)

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