Servidor amplia greve

Servidor amplia greve

Vera Batista
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Mais de 30% dos 680 mil servidores públicos federais na ativa estão em greve desde o início do segundo semestre. E o movimento paredista tende a crescer a partir do dia 23, quando o funcionalismo se unirá no Dia Nacional de Mobilização contra o pacote anunciado pelo governo, que atinge fortemente a categoria. Hoje, os fiscais agropecuários engrossam a greve.

De acordo com Maurício Porto, presidente do Sindicato Nacional (Anffa Sindical), 56% dos profissionais na ativa têm condições de se aposentar. ;O cancelamento dos concursos públicos, além da eliminação do abono de permanência de 11%, certamente, prejudicará os cidadãos;, argumentou Porto.

Segundo Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), mais grave que o congelamento dos salários ; o reajuste previsto para janeiro próximo deve ser adiado para agosto de 2016 ; é o fim do abono, que pode contaminar os Três Poderes e pegar em cheio parcela significativa dos 12,5 milhões de funcionários públicos do Brasil.

;É assustadora a possibilidade de o corte do abono de permanência se espalhar. Por ser uma medida meramente administrativa, o benefício pode ser extinto com uma canetada. Na essência, o abono pretendia justamente economizar recursos;, disse Marques. Ele teme o ;pacote de maldades; não tenha chegado ao fim. ;Há boatos de que o governo prepara nova reforma da Previdência apenas para servidores, com elevação da idade mínima. Parece que algo tenebroso está por vir;, destacou.

Precarização
Para Daro Piffer, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), o impacto negativo é maior do que parece. Congelar concursos por três anos significa pelo menos cinco sem reposição de pessoal ; tempo para organizar o certame e convocar os aprovados. ;Como o serviço tem que ser feito, o pacote abre as portas à terceirização e, em consequência, à precarização do trabalho;, alertou.

Na avaliação de Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), ;o governo decidiu colocar uma pá de cal no já sucateado serviço público;, ao obrigar servidores a abrir mão do abono de permanência. ;Temos que reagir. O silêncio seria o sinal de que concordamos em ser o bode expiatório da crise, que não causamos. Vamos protestar no dia 23, em todos os estados. E no dia 28, nos reuniremos com as centrais sindicais, para ampliar o movimento;, disse Silva.

Segundo Rosa Jorge, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), o governo adotou a política errada. ;Se investisse em pessoal, apenas no combate à sonegação do FGTS daríamos retorno de R$ 30 bilhões por ano;, disse Rosa.

O presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), Achilles Frias, garantiu que a categoria contribuiria para reduzir o estoque da dívida com a União, em torno de R$ 1,5 trilhão. ;A cobrança, certamente, evitaria a necessidade de ajuste fiscal. A cada R$ 1 investido na PGFN, o retorno direto é de R$ 820;, sinalizou.

Na avaliação de Marcos Leôncio Ribeiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), o aspecto mais dramático do pacote anunciado pelo governo é a insegurança sobre a manutenção do poder aquisitivo dos salários. ;Muitos dos acordos salariais estavam oficializados. Faltavam apenas ser assinados. Agora, o governo diz que vai adiar o reajuste para agosto. Quem nos garante que não mudará novamente a data?;, questionou.


Pressão
Os servidores do Judiciário ; há 96 dias em greve ; reforçaram a pressão para derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto que autoriza reajustes salariais entre 53% e 78%. Ontem, cerca de mil pessoas protestaram na lateral do Senado. Elcimara Souza, coordenadora do sindicato da categoria (Sindjus-DF), explicou que trabalho de convencimento aos parlamentares continuará até a sessão conjunta do Congresso, em 22 de setembro, mesmo depois da divulgação do corte de gastos. ;É um jogo político. O governo pressiona, mas nós não vamos desistir;, garantiu.

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