ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 17/09/2015 00:00



Consumindo desgovernos

Para os cidadãos e, por extensão, para os contribuintes e consumidores, interessa um Estado enxuto, racional e eficiente na prestação dos serviços que são de sua responsabilidade e para os quais a lei obriga que sejam bem realizados. Acontece que o cumprimento da lei só cabe a quem está fora da roda do compadrio. Qualquer aluno de direito fica confuso ao ler a Constituição. Ela é ideal, não real. As leis são tecidas com tramas propositadamente. A intenção é que, em várias interpretações, caiba a que for de interesse da parte mais forte, como apostou Trasímaco, em um dos 10 livros da República de Platão (380 a.C. e 370 a.C.). ;A justiça não é outra coisa, e em toda parte, senão a conveniência do mais forte;, concluiu o filósofo.

O rombo nos cofres do GDF, deixado pela gestão passada, será matematicamente equacionado, sangrando-se, um pouco mais, o contribuinte brasiliense. Chega o aumento de impostos, preços de serviços e alimentos muito mais caros. Apesar de haver órgãos para o controle das finanças públicas, como se vê, eles não funcionam. Deveriam prevenir coibindo gastos indevidos e desvios dos recursos públicos. Restam poucas saídas ao cidadão. Aos crentes, a oração; aos insurretos, a repetição dos episódios da Derrama; aos extremistas, a sonegação; e aos acomodados, o pagamento sem protestos.

Guardadas as proporções, o que ocorre em nossa casa se repete em nosso estado e no país de forma geral e similar. Receitas e gastos devem coexistir em equilíbrio, em quaisquer âmbitos. As contas no vermelho repercutem tanto para a dona de casa como para o governo. A diferença é que a dona de casa não pode repassar a outrem as despesas feitas em excesso. Contrariamente, a incúria perdulária dos governos, mesmo sob a condição de penalidades previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, é sempre repassadas para o cidadão, sem punição à má gerência.

A afirmação de que não existe dinheiro público existe apenas dinheiro do contribuinte, atribuída à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, serve como parâmetro na hora de cobrar do cidadão pelos rombos nas contas públicas. Não bastassem as repercussões extremamente negativas decorrentes dos desequilíbrios nas contas do governo federal, os brasilienses serão brindados também com conta extra a ser paga em decorrência da contabilidade criminosa do desgoverno passado.

Os recentes atalhos sofridos no longo caminho que leva à cidadania e à democracia de direitos parecem conduzir a população ao beco sem saída da desobediência civil, tal a discrepância existente entre os anseios da coletividade e a vontade da minoria instalada no poder. Atingido por todos os lados, quem sabe não é chegada a hora de o cidadão comum sacar da algibeira a derradeira oportunidade de se proteger e mostrar ao governo local e federal um exemplar da Lei n; 8.078/90, conhecida como Código do Consumidor. Talvez esteja nesse documento a alternativa desesperada para resolver, de vez, a relação insana e histórica entre quem paga e não recebe e quem cobra e não cumpre.


A frase que foi pronunciada


;A história nunca vai nos deixar. Quem aprende com ela evita incorrer nos erros do passado.;

Professora Dorotéa Kerr, do Departamento de Música da Unesp


Resgate

; Prova de que a frase de hoje funciona é que, enquanto o Ministério da Educação planeja o currículo único com o contexto das disciplinas apresentado a partir da experiência dos alunos, os professores penam nos colégios para segurar a atenção da meninada. Voltar ao que pensou Paulo Freire parece ser a saída para os estudiosos.


Cultura

; Na comissão que sabatinou Débora R. Ivanov para a Ancine, a senadora Simone Tebet lembrou que, se 60% dos municípios brasileiros têm menos que 20 mil habitantes, pelas regras do governo, 60% dos municípios não têm salas de cinema.


Imprevisíveis

; Senador Donizeti Nogueira contou que levou um susto quando a prefeitura de Goiânia resolveu apresentar concertos eruditos ao ar livre para a população. Ele tinha certeza da rejeição. No entanto, o povo se sentiu agraciado com a arte que não conhecia. Arte é assim. Povo é assim.


História de Brasília


Era um capitão da Aeronáutica, Raimundo Muniz, o piloto do avião que desceu no Açude Pentecoste, no Ceará, com contrabando. Não devia ser segredo o depoimento desse militar. (Publicado em 24/8/1961)

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