Preservar árvores salva pessoas

Preservar árvores salva pessoas

postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Nasa/Divulgação)
(foto: Nasa/Divulgação)

No Brasil, a redução do desmatamento na última década evitou de 400 a 1,7 mil mortes prematuras, de acordo com uma equipe internacional de pesquisadores, da qual fez parte o brasileiro Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, publicado na Nature Geoscience, tinha como objetivo verificar se a diminuição das queimadas resultou em algum impacto na saúde da população. Para isso, os cientistas utilizaram dados de satélite e estudos epidemiológicos, combinados a modelos computacionais.


A fumaça emitida pelas queimadas degrada a qualidade do ar porque aumenta as concentrações ambientais de poluentes atmosféricos.Uma grande quantidade de partículas menores que 2,5 micrômetros de diâmetro está associada com risco maior de doenças e mortalidade e, de acordo com um estudo anterior, publicado na revista The Lancet, é o nono fator que mais deflagra enfermidades ao redor do mundo. No Brasil, 70% da poluição do ar é resultante da queima de biomassa, um problema que, globalmente, provoca 330 mil mortes anuais.


;Quando se fala em questões ambientais, é essencial olharmos para o todo, em seus vários aspectos, tais como o social, o econômico, o da saúde e o ambiental;, observa Artaxo. ;No caso do desmatamento da Amazônia, temos a emissão de gases de efeito estufa, a perda de biodiversidade, as alterações nos serviços ambientais da floresta e também o efeito na saúde das pessoas, como decorrência das emissões de queimadas;, diz. De acordo com ele, desde a década de 1950, se conhece a relação entre a exposição a poluentes atmosféricos e o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. ;A poluição agrava o estado de pessoas com insuficiência respiratória e cardíaca;, lembra.


Apesar de o trabalho ter evidenciado uma redução expressiva no número de mortes associada à queda no desmatamento, os cientistas alertam, no artigo, que a tendência poderá ser revertida. ;Manter o desmatamento em baixa no Brasil vai requerer uma governança aprimorada;, escreveram.


Paulo Artaxo, que já integrou o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), deixa um alerta: ;A Faculdade de Medicina da USP estimou em cerca de 30 mil os mortos por ano em São Paulo devido à poluição do ar. As emissões de queimadas na Amazônia somente agravam esse quadro já crítico;. (PO)

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