Aumento de tarifas exige melhorias

Aumento de tarifas exige melhorias

A opinião é de especialistas e de contribuintes, diante dos reajustes anunciados pelo Buriti na terça-feira. Eles acreditam que os preços ficaram congelados por bastante tempo, principalmente no transporte público. Mas serviço precisa de mais transparência e qualidade

» ADRIANA BERNARDES » JOÃO GABRIEL AMADOR » ISA STACCIARINI » CAMILA COSTA
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)




O brasiliense vai pagar um preço alto pela inabilidade da gestão do dinheiro público no Distrito Federal. O dia seguinte ao anúncio de aumento das passagens do transporte público, do restaurante comunitário, de impostos, do zoológico e a suspensão de aumento de salários para o servidor público, a sensação é de ressaca. Patrões fazem contas. Trabalhadores temem perder o poder de compra e até demissões. Para especialistas ouvidos pelo Correio, haverá reação mesmo nos casos em que a medida era inadiável.

Os efeitos do pacotão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) serão sentidos na prática a partir de domingo por parte da população. É quando começam a vigorar os novos preços dos ônibus e do metrô, com alta entre 20% e 33%. Os dois não eram reajustados havia nove anos. Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) programam para amanhã um protesto na Rodoviária do Plano Piloto. A convocação do movimento é para derrubar o aumento. Nas paradas de ônibus ou estações de metrô, a insatisfação é generalizada. ;Com certeza, teremos um impacto negativo com essa série de aumentos. E o transporte público no DF é ruim, com frota velha e sem ar-condicionado. Isso sem contar a falta de educação de motoristas. Esse reajuste não mudará em nada a situação;, apontou o servidor público Vinícius Weitzel, de 30 anos.

Na avaliação do professor Pastor Willy Gonzales Taco, doutor em engenharia e transportes, o aumento das tarifas de transporte era esperado. ;Não tem como segurar a panela fervendo por mais tempo. É bom resfriá-la, antes que exploda. Tem que cobrir os rombos deixados pelo governo anterior;, diz. No entanto, Taco não tem dúvidas de que o pacote vai gerar reações. ;Haverá reclamações, insatisfação e descrédito político. Do ponto de vista do usuário cativo, não tem como ele fugir, será o mais impactado;, avalia.

Contrapartida

Em um cenário assim, é imprescindível, segundo o especialista, que o governo apresente uma contrapartida. ;Definitivamente, mais credibilidade e atratividade no sistema. Esperam-se ações que concretizem esses anseios, principalmente na frequência e pontualidade da operação, lotação mais humana na oferta, condizente com os padrões de qualidade;, sugere.

Melhorar a qualidade do serviço é imprescindível, mas também falta, na avaliação de Paulo César Marques, doutor em estudos em transportes, ;a abertura da caixa-preta do sistema;. Segundo ele, o repasse que o governo faz às empresas é baseado num cálculo cujos dados só são conhecidos pelos donos dos ônibus. ;Ninguém mais tem acesso a essas planilhas de custo, nem o próprio governo. Com o atual modelo e sem o controle das informações estratégicas, o que o GDF faz é subsidiar as empresas, não o serviço;, critica.

Em entrevista ao Correio, Rollemberg ressaltou que o aumento da tarifa, aliado ao combate às fraudes e à conclusão da licitação para manutenção do metrô, vão resultar em melhoria do transporte público. ;As pessoas ficarão menos tempo esperando nas paradas. As cooperativas, hoje, prestam um serviço muito precário e, à medida em que forem substituídas, o atendimento ao cidadão ficará melhor;, acredita. Rollemberg destacou ainda que o sistema de transporte licitado no último governo não está completamente implementado e defendeu a transparência total sobre os números do transporte coletivo.

Diversão e comida

A mudança no valor do ingresso do Zoológico de Brasília, de R$ 2 para R$ 10, a partir de segunda-feira, gerou insatisfação entre os usuários. Pela nova tabela, crianças de 5 a 12 anos, estudantes, professores idosos e beneficiários de programas sociais pagam meia-entrada. De terça a quinta-feira, qualquer visitante pagará R$ 5. Pessoas com deficiência e crianças até 5 anos terão entrada livre em qualquer dia da semana. Na tarde de ontem, a dona de casa Silvana Carvalho, 30 anos, levou os filhos Enzo Gabriel Berlemont, 1 ano e 9 meses, e Geovana Berlemont, 3 meses, para um passeio no espaço. ;O aumento é exorbitante. Esse espaço é para lazer, para trazer as crianças e nos divertir, por isso, o preço tinha que ser simbólico. É um absurdo;, alegou.

Outro ajuste que deixou um gosto amargo para o cidadão foi o aumento do preço do famoso bandejão, servido nos restaurantes comunitários, de R$ 1 para R$ 3, a partir de segunda-feira. Eles existem desde 2001 e foram criados pelo ex-governador Joaquim Roriz como uma alternativa boa e barata. São 13 restaurantes espalhados pelo DF. Há 14 anos, o custo do prato era de R$ 2,49. A contrapartida do governo cobria R$ 1,49. Segundo o Executivo, devido à atualização da inflação, o custo para o Executivo por refeição é de R$ 6,71. Isso dá uma despesa mensal de R$ 3,9 milhões por mês.

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