Eixo Capital

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postado em 17/09/2015 00:00
Dívidas pagas a partir de 2016

Um decreto de Rodrigo Rollemberg regulamenta hoje o pagamento das dívidas herdadas do governo anterior, as chamadas (DEAs), no total de R$ 1,1 bilhão. O pagamento será feito em 60 parcelas, a partir de julho de 2016. Os credores terão de assinar um termo de acordo em que aceitam as condições. Caso contrário, a dívida não prescreve, mas ficará mais dífícil receber do governo.


Concursos suspensos

Em outro decreto, o governador Rodrigo Rollemberg vai determinar a suspensão de novos concursos e uma resolução cancelando as autorizações para novos certames. As medidas foram definidas ontem à noite com a equipe econômica.


Passe livre não quer diálogo

Em meio à peregrinação a instituições ontem para conquistar apoio às medidas do ajuste fiscal, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) tentou marcar uma reunião com representantes do Movimento Passe Livre. A resposta foi negativa. Eles não aceitaram abrir o diálogo. A ordem é radicalizar com manifestações contra os reajustes de tarifas de transporte coletivo.



Os contrastes de Brasília

Os cineastas Thiago Rocha e Gabriel Colela, filhos de dois jornalistas, são os roteiristas e, respectivamente, diretor e produtor do curta-metragem Setor Complementar, que será exibido hoje no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme foi todo rodado na Estrutural com atores de lá. Com o olhar de documentário, revela os contrastes entre a Cidade Estrutural, às margens do Lixão, e a Cidade do Automóvel, um dos maiores pólos de desenvolvimento econômico do DF.



Com a palavra, os ex-governadores


Cristovam Buarque (PDT),
governador entre 1995 e 1998:

;Temos que perguntar se ele fez o que deveria e como deveria. A resposta é não. Não nos consultou, não nos ouviu e não procurou as nossas sugestões. Se tem um buraco, um rombo, a solução não será aumentando tarifas de ônibus ou de restaurantes comunitários. Apresentei algumas alternativas, como, por exemplo, a redução da contribuição do governo no fundo previdenciário, liberação de habite-se de imóveis parados na burocracia e sem pagar IPTU, desburocratização de códigos de construção. Rodrigo continua preso no fascínio da tragédia fiscal, deixando de fazer as coisas que a sociedade quer;.


Rogério Rosso (PSD),
governador entre abril e dezembro de 2010:

;O governador mostra a situação dramática financeira do DF. Em 2010, também sofri pressão de aumento de tarifas e não dei. Mas o subsídio era bem menor do que se paga hoje. Desde o início do ano, teria trabalhado fortemente no ajuste para evitar o congelamento dos salários e o aumento das tarifas de ônibus que oneram tanto o empresário quanto o trabalhador. Umas das medidas boas é aumentar a carga tributária para bebidas e fumo, mas faria um mutirão de vendas de terrenos, para reverter o reajuste de outros impostos;.


Agnelo Queiroz (PT),
governador entre 2011 e 2014

;É o resultado da inoperância de noves meses que deixaram o DF paralisado. Foram escolhidas medidas que mostram a posição político-ideológica do governo porque vão penalizar fortemente os mais pobres, os trabalhadores e os servidores públicos. O aumento das refeições dos restaurantes comunitários é uma decisão equivocada porque afeta a política alimentar para quem precisa comer e não tem condições de pagar. Minha solução seria manter a economia aquecida. Faria tudo o contrário do que está ocorrendo;



À QUEIMA-ROUPA


Joaquim Roriz, Governador do DF em quatro mandatos entre 1998 e 2006.

Como o senhor vê o pacote anunciando pelo governador Rodrigo Rollemberg?
Vejo com muita preocupação. O governador está cometendo um grave erro ao penalizar a população, principalmente a faixa de menor salário com aumentos abusivos de impostos. Olha a manchete do jornal de hoje (ontem): ;GDF divide a conta da crise com a população;. É muito forte. Isso demonstra falta de experiência e o resultado é o descrédito junto à população como já vem ocorrendo de forma acelerada.

O senhor pegou crises econômicas graves quando era governador?
Sim. Mas resolvi de outras maneiras. Buscava outros meios que não fossem fazer a população pagar pelos erros de gestões anteriores. Inclusive, eu fui governador numa época em que o Fundo Constitucional beneficiava apenas a área de segurança. Todo ano eu ia, com o pires na mão, negociar, implorar por recursos para educação e saúde. E quando Fernando Henrique virou presidente da República foi que consegui fazer com que ele inserisse na Constituição essas duas áreas. Crise era governar o Distrito Federal quando o Fundo não beneficiava todas essas áreas.

No pacote anunciado pelo governo, o que o senhor não aprova?
O pacote com aumentos é um absurdo, com algumas ações sem o menor sentido. Por exemplo, não faz sentido algum aumentar de R$ 1 para R$ 3 o valor da comida nos restaurantes comunitários que eu criei justamente para oferecer comida barata para as pessoas que não podiam pagar para se alimentarem. Ele poderia mexer em outras coisas, mas com a alimentação das pessoas é muito dolorido. Eu não faria isso nunca, nunca na vida.

E o aumento das passagens?
Não faria também, não. Veja bem, a população mais carente, a que precisa mesmo, usa ônibus, come nos restaurantes comunitários, passeia no zoológico. Agora, o Rollemberg vem e anuncia que vai aumentar as passagens, vai aumentar a comida e aumentar a entrada do zoológico. Meu Deus do céu;.

O senhor daria algum conselho ao governador Rodrigo Rollemberg?
Amor pela cidade e cuidado com o povo. Pra ser governador tem que ter sensibilidade e coração. Os jornais estão mostrando a verdade. E o que é a verdade? É que essas medidas ofendem o povo. Teve alguma manchete favorável a ele? Não! Só contra ele. Não pode contrariar a população dessa forma, como se o povo fosse culpado pelos erros do governo. Aliás, você tem notícias do Agnelo? Pra saber o que ele acha do pacote que vai dar a conta da crise para o povo pagar?




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