Pluralidade marca festival de cinema

Pluralidade marca festival de cinema

Segunda noite do evento manteve o ritmo de empolgação da abertura. Até a próxima segunda-feira, serão exibidos seis longas-metragens na disputa por R$ 340 mil em prêmios

» Diego Ponce de Leon » Ricardo Daehn
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

O começo da Mostra Competitiva da 48; edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro animou o Cine Brasília na noite de ontem, quando o longa A Família Dionti foi exibido. A sessão, como na noite de abertura do evento, estava lotada. Algo que deve ter feito o diretor Alan Minas ficar ainda mais ansioso. Afinal, era a primeira vez que o público veria seu filme na telona. ;Confesso que estou com as pernas tremendo pela expectativa. A estreia no Festival de Brasília representa para a gente a realização de um sonho;, disse.

Os principais atores do filme se tornaram plateia e, como o diretor, não escondiam a apreensão. ;Nunca vi o filme pronto. Estou muito ansiosa para ver o resultado. Nós nos tornamos uma família;, afirmou a atriz Anna Luiza Paes Marques. O ator Murilo Quirino não escondeu que se sentia honrado ao ver seu trabalho ser exibido em Brasília. ;Espero que tudo dê certo.; Antônio Edson, o protagonista da história, ficou impressionado com o tamanho do festival. ;O que de mais significativo está sendo produzido no cinema nacional vem para cá.;


Frequentador assíduo do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o ator, diretor e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) João Antônio conheceu o evento assim que desembarcou na capital federal, em 1971. ;Inclusive, acompanhei aqueles lamentáveis anos em que o festival foi interrompido pela ditadura;, recorda. Embora seja um nome conhecido do teatro brasiliense, João Antônio sempre dialogou com o cinema e já se viu na tela do Cine Brasília inúmeras vezes. ;Perdi as contas;, brinca. O ator e diretor chegou a coordenar o festival. Questionado sobre a alegada passividade da plateia nos anos recentes, João Antônio não acredita que essa seja uma característica do evento, particularmente: ;A juventude está mais passiva. De alguma forma nossos jovens se arrefeceram. Também tínhamos filmes mais polêmicos, no passado, que provocavam uma reação mais expressiva do público.;

Mesmo assim, ele não tem dúvidas: o festival continua a deixar um lastro inquestionável na cidade. ;A seleção dos filmes ainda pauta belas discussões;, conclui. Em entrevista ao Correio, o ator e diretor Werner Schünemann, um dos jurados desta edição, afirmou manter relação de longa data com o festival. ;Toda vez que vim, saí premiado daqui;, celebrou. Entre as principais características do evento, Werner destacou a pluralidade dos gêneros e o cuidado da curadoria em trazer atrações de todo o país.


Ele fez observações que transgridem a esfera do festival: ;Queria ver o olhar brasileiro sobre o mundo. Nosso cinema sempre está retratando nossa própria realidade, o que é ótimo, mas também precisamos dialogar com outras esferas. Adoraria ver nas telas nossa abordagem sobre uma história da Irlanda, de Israel, do Chile;, sugeriu. Como jurado, o ator não pode antecipar nenhum detalhe sobre a escolha dos filmes deste ano, mas se mostrou animado com o início da mostra competitiva. Até a próxima segunda, serão seis longas disputando R$ 340 mil em prêmios.

Troca de contatos
O ator Andrade Júnior também esteve no primeiro dia de Mostra Competitiva. Na 48; Edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ele participa de três produções. Em O Outro Lado do Paraíso, do diretor André Ristum e rodado em Brasília, no Polo de Cinema de Sobradinho e em Taguatinga, ele atua como o presidente de um sindicato que convoca os trabalhadores para a greve. Em O melhor fotógrafo do mundo, curta-metragem de Fáuston da Silva, Andrade interpreta um avô chamado Abraão que, com seus dois netos Izaque (Genivaldo Sampaio) e Jacó (Anacleto Neto), discute o embate que existe entre os sonhos de cada um e as dificuldades de realizá-los. E, por último, Balãozinho Azul, também de Fáuston da Silva e que será exibido no Festivalzinho, no qual interpreta três personagens: um bedel de escola, um vendedor de balões e um motorista de ônibus.


Para ele, os festivais não funcionam apenas como forma de levar aos amantes da sétima arte películas que, normalmente, não chegam aos cinemas mais comerciais. ;Eles também são pontos de encontro, gerando demandas para os atores.; Por isso, Andrade não fica sem trabalho. Ele está no elenco de King Kong en Asunción, de Camilo Cavalcante, em que interpreta um bandido que se esconde da polícia. Terminou ainda sua participação em Assis, Rosinha e Brandão, no qual contracena com a atriz Maria Alice Vergueiro. Wolner Oliveira, diretor premiado em 1999 no Festival de Brasília, com O milagre de Juazeiro, citou o retorno da parceria entre o evento de cinema da capital e o Cine Ceará. ;Essa parceria é saudável porque garante um intercâmbio importante.; Hoje, na Mostra Competitiva, será apresentado o longa Fome, de Cristiano Burlan.


Bate-papo literário

A escritora Mônica Sifuentes é a convidada de hoje do Projeto 5; Literária. O tema do bate-papo é o Arcadismo Mineiro. A pesquisa de Mônica trata da vida do poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto. Fluminense, ele viveu em Minas Gerais e participou ativamente da vida política de São João Del Rei, onde morou boa parte da vida. Mônica é autora do livro Um poema para Bárbara, obra que fala sobre a história de amor de Inácio José de Alvarenga Peixoto com Bárbara Heliodora. A escritora é mineira, de Belo Horizonte, e juíza desde 1992. Atualmente, desempenha o cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1; Região, em Brasília. A programação cultural da Associação Nacional dos Escritores (ANE) ocorre quinzenalmente. A cada evento, um tema é abordado. O encontro será na sede da associação, na 707/709 Sul, Bloco F, Edifício Escritor Almeida Fischer, às 20h.





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