Mostra Brasília seleciona filmes com crítica social

Mostra Brasília seleciona filmes com crítica social

» Ricardo Daehn
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Photo Agência/ Divulgação)
(foto: Photo Agência/ Divulgação)




Dois exemplos de filmes que compõem a Mostra Brasília, a partir de hoje, e estendida até segunda-feira, no Cine Brasília, demonstram o aspecto democrático das exibições, às 17h, e com entrada franca. Numa disputa por prêmios de R$ 200 mil, está o documentário Asfalto, com menos de cinco minutos de duração (do diretor Márcio de Andrade) e também a superprodução O outro lado do paraíso, orçada em mais de R$ 7 milhões.

Com exibição no sábado, O outro lado do paraíso ; premiado pelo público, no Festival de Gramado ; mostra a afinidade temática do diretor André Ristum (do politizado Tempo de resistência) com o autor do texto adaptado para as telas, Luiz Fernando Emediato. Um pai idealista, moralmente massacrado em 1964, deu estofo para a obra de Emediato.

Numa estrutura democrática (com júris oficial e popular), a Mostra Brasília ; há 20 anos proposta pela Câmara Legislativa do DF ; já injetou premiação de R$ 2 milhões na carreira de cineastas locais. Este ano, três profissionais foram destacados para apontar premiações: o músico e compositor André Sachs, o ator Chico Sant;Anna e Jorge Bodanzky (codiretor de Iracema ; Uma transa amazônica).

Feito na época da ditadura, Iracema (1976) traz em si o símbolo de resistência de um dos curtas da mostra, A culpa é da foto (na programação de amanhã da Mostra Brasília), conduzido por Eraldo Peres, Joedson Alves e André Dusek. O documentário mostra um momento de protesto de fotógrafos, em frente ao Palácio do Planalto ocupado pelo então presidente João Baptista de Figueiredo. Outro curta com relevância política é Setor Complementar, no qual o diretor independente Tiago Rocha dos Santos expõe contradições entre as vizinhas Cidade Estrutural e Cidade do Automóvel.

Entre os quatro longas selecionados para a Mostra Brasília, estão títulos como Alma palavra alma e um dos concorrentes na competitiva do festival, Santoro ; Um homem e sua música. A maioria dos filmes na Mostra Brasília é de curtas, totalizando 14. A perda de uma mãe ; assunto corrente entre os selecionados ; está em curta de hoje, Como se voasse para casa, do diretor estreante Wesley Gondim.

Domingo, seis curtas terão exibição em bloco. No cardápio, a atuação do agitador cultural Jota Pingo (morto em 2012) deve chamar a atenção em João Brandão adere ao punk (de Ramiro Grossero). Figura única no cenário local, o eterno cineasta bombeiro Afonso Brazza estará nas telas de Afonso é uma Brazza (de Naji Sidki e James Gama), segunda-feira.

Dois curtas, Vagabunda de meia tigela e O melhor fotógrafo do mundo estão entre os selecionados e abordam homofobia e desigualdade social. No primeiro, o protagonista é vítima de ofensas e tem até inimiga. ;Acredito que o ridículo, o exagerado e o humor têm uma força muito grande para abordar meus temas;, afirma o diretor Otávio Chamorro. O curta demandou 21 tratamentos de roteiro e seis dias de filmagem. ;Brasília tem se tornado um polo de cinema. A capital está seguindo os passos do país e ganhando destaque, com uma proposta de filmes que vão além do que seja comercial;, opina o diretor Fáuston da Silva, também concorrente na Mostra Brasília.




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