O som que vem dos filmes

O som que vem dos filmes

DJ e instrumentistas se esmeram na difícil tarefa de harmonizar as imagens à sonoridade das películas

» Irlam Rocha Lima
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Marcelo Lyra/Divulgação)
(foto: Marcelo Lyra/Divulgação)



Responsável pela criação de climas, sensações, a trilha sonora é vista por especialistas como ferramenta essencial na construção da técnica narrativa de um filme, fator fundamental na criação de uma história. Para elaborá-la, em geral, são convocados profissionais que tenham identificação com a proposta do cineasta.

Na 48; edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, seis trilheiros estão envolvidos com a produção dos filmes que, até a próxima segunda-feira participam da mostra competitiva de longa-metragem, em exibição no Cine Brasília.

A trilha de Fome, filme dirigido por Cristiano Burlan, que trata da solidão urbana, a ser exibido hoje, é uma criação de Juão Nin e da Androide sem Par, banda do Rio Grande do Norte, radicada em São Paulo. ;Na trilha foram incorporadas duas músicas da nossa banda Esses meses e Besteira, que falam de amor e morte e remetem à temática do filme, ligada ao morador de rua.

Incialmente, Nin foi convidado para atuar como ator. A possibilidade de ser responsável pela trilha surgiu depois. ;Faço um personagem não binário. Ele, que contracena com protagonista, Jean-Clude Bernadet, oscila entre o gênero masculino e o feminino;, explica.

O curitibano André Ramiro é o autor da trilha de Para minha amada morta, do baiano Aly Muritiba, a ser apresentado amanhã. Atualmente morador do Rio de Janeiro, Ramiro já havia trabalhado com o diretor num curta-metragem. ;Na construção da trilha, inclui músicas das minhas duas bandas, Transibéria, da Ruído por Milímetro; e Anjo anjo, Lobisomem tubarão, Orfanato de cobra e Sonata para elefante, da Índios Eletrônicos;, adianta. ;Todas, acredito, têm a ver com a estética do filme;, acrescenta.

Big jato, do pernambucano Cláudio Assis, baseado em livro homônimo de Xico Sá, é um dos longas mais aguardados.A trilha sonora tem a assinatura do DJ Dolores. ;Voltar a trabalhar com Cláudio e Hilton (Lacerda, um dos roteiristas), num filme que tem como referência livro de Xico Sá, foi uma delícia. Somos amigos há muito tempo, costumamos frequentar o mesmo bar.;

Beatles
Dolores diz que acompanhou todo o processo de criação de Big Jato ; em cartaz no sábado ; , indo inclusive às locações. ;Criei uma trilha original, com ligeira referência aos Beatles, e uma linguagem, meio ;enrolation;, que traz algumas expressões em inglês. Há, músicas feitas para Os Betos, banda fictícia, que atua no filme;, antecipa.

O responsável pela trilha de Santoro ; O homem e sua música, documentário sobre o maestro Claudio Santoro, a ser visto no domingo, é o filho do próprio maestro, o pianista Alessandro Santoro. O pianista selecionou algumas peças do pai, que foram executadas pela Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional e Amazônia Sinfônica.

Professor de composição da Unicamp, Luiz Henrique Xavier criou trilha original de Prova de coragem, do paulista Roberto Gervitz, trabalhando no Estúdio Mandora, que mantém em São Paulo. ;Quis algo que fosse ornamental, com função narrativa, criando outra perspectiva para a montagem do filme, para a história contada pelo Gervitz;. O filme fecha a mostra competitiva.

A Família Dionti, de Alan Minas, exibido ontem na abertura da mostra, contou com trilha de Clower Curtis. ;O filme já estava pronto quando compus a trilha. Na hora de editá-la foi feito um ajuste fino. O que criei, baseado em piano e viola caipira, foi algo bem subjetivo, que buscou valorizar o transbordamento da emoção, em harmonia com a proposta do diretor;, destaca Curtis, músico, compositor e ex-líder da banda de rock Berro.

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