PF faz busca e apreensão em Belo Horizonte

PF faz busca e apreensão em Belo Horizonte

Em nova fase da investigação em Minas, policiais federais recolhem notebooks e celulares na casa do ex-ministro Mauro Borges

Isabella Souto Fernanda Borges
postado em 02/10/2015 00:00
 (foto: Beto Novaes/EM
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(foto: Beto Novaes/EM )


Belo Horizonte ; A Polícia Federal deflagrou ontem a 3; fase da Operação Acrônimo para cumprir 40 mandados de busca e apreensão na capital mineira e em Brasília. A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e envolve a campanha do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Os agentes fizeram buscas em endereços de pessoas ligadas ao petista, entre elas, o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Mauro Borges.

Na casa de Mauro Borges, no Bairro Belvedere, os agentes apreenderam notebooks, celulares e mídias eletrônicas. O ex-ministro foi intimado a depor na sede da PF, na capital e, depois de 30 minutos, acabou liberado. O advogado dele, Marcelo Leonardo, disse que a intimação de Mauro Borges ocorreu em razão das atividades na época em que era ministro do Desenvolvimento, e que prestou depoimento na condição de investigado. O teor do depoimento, no entanto, não foi revelado porque, segundo ele, a investigação corre em segredo de Justiça. Em nota divulgada à imprensa, Marcelo Leonardo disse ainda que ;a ação da PF não guarda nenhuma relação com a Cemig, empresa atualmente presidida por Mauro Borges;.

A PF apura suspeitas de desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais. A investigação começou em outubro do ano passado, quando agentes flagraram um avião no aeroporto de Brasília com R$ 113 mil, transportados por Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, dono de uma gráfica que prestou serviço para a campanha do então candidato a governador Fernando Pimentel. Em junho, agentes da PF fizeram buscas no antigo comitê de campanha de Pimentel no Bairro Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na ocasião, o governador afirmou que o ato foi de ;arbitrariedade;.

A Acrônimo, desencadeada inicialmente em maio, tem também como alvos a primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, e o empresário Benedito Rodrigues, colaborador de campanhas de Pimentel e suspeito de desviar recursos de contratos do governo federal com suas empresas. Pimentel é investigado por receber vantagens indevidas de empresas que mantinham relações comerciais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, que ele comandou de 2011 a 2014. O governador nega que tenha cometido qualquer irregularidade.

Além da operação na casa de Mauro Borges, agentes da PF fizeram buscas na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. Procurada, a entidade informou que não vai se pronunciar sobre o assunto. Policiais estiveram ainda na sede da Marfrig, em São Paulo. Em nota, a empresa disse que ;não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados; e que ;está à disposição das autoridades competentes no sentido de colaborar com a investigação em curso;. A companhia alimentícia também ressalta que já estava à disposição do Ministério Público e de autoridades judiciais a respeito da questão. A Polícia Federal não deu detalhes da investigação e informou que, por ordem da Justiça, não poderia se manifestar sobre a operação.

;A ação da Polícia Federal não guarda nenhuma relação com a Cemig, empresa atualmente presidida por Mauro Borges;
Marcelo Leonardo, advogado de Mauro Borges


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