Empresas aéreas pedem ajuda

Empresas aéreas pedem ajuda

Setor que tem 60% das despesas em dólar quer que governo elimine o ICMS sobre o querosene de aviação

ROSANA HESSEL
postado em 02/10/2015 00:00
Os representantes das companhias aéreas brasileiras estão preocupados com a forte alta do dólar, que acumula valorização de 50% neste ano, e foram bater na porta do governo atrás de ajuda. O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovics, e das principais empresas do setor ; TAM, Gol, Avianca e Azul ; apresentaram ontem uma lista de propostas ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Entre elas, uma reivindicação antiga do segmento: a eliminação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o querosene de aviação.

Na avaliação de Sanovics, o principal problema do setor no momento é o alto custo do combustível, que representa 40% dos custos operacionais das empresas aéreas brasileiras enquanto que, no mercado internacional, essa despesa gira em torno de 20%. ;Não faz sentido ser mais caro aqui do que em países que não são produtores de petróleo. Somos um setor com 60% das despesas dolarizadas, sendo 40% o combustível e 20% de leasing e manutenção, que subiram 55%. Já as receitas aumentaram 3% neste ano;, reclamou.

A Abear prevê aumento no deficit do caixa do segmento neste ano, que deve ficar em torno de R$ 7,3 bilhões, quase quatro vezes o saldo negativo de R$ 1,9 bilhão de 2014. E o rombo poderá chegar a R$ 11,4 bilhões, no próximo ano, se o dólar chegar a R$ 3,88, e saltar para
R$ 12,1 bilhões, caso divisa norte-americana atinja R$ 4,05, conforme estudo feito pela entidade, apresentado a Levy.

Sanovics afirmou que o setor está perto de uma situação que ;demanda ações rápidas e drásticas; e ressaltou que as áreas não estão pedindo desoneração, isenção ou subsídios. De acordo com ele, o ministro reafirmou a crença na utilização dos instrumentos de mercado e afirmou que ;vai estudar e se debruçar sobre os temas que nós falamos a partir desse critério;.

Segundo o presidente da associação, Levy ;entende que isso deve ser feito sem que nós adentremos qualquer tipo de situação que signifique retornar práticas que hoje já não fazem parte da agenda econômica do país;. Ele afirmou ainda que o ministro pediu à Abear que entregue estudo a respeito do assunto tratado. Uma reunião está apalavrada para daqui a duas ou três semanas.

As aéreas também estão preocupadas com uma multa de R$ 4 bilhões que a Agência Nacional de Aviação (Anac) pode aplicar no setor pelo descumprimento de alguns voos durante a Copa do Mundo, mas esse assunto não foi discutido no encontro de ontem.

Sem nuvens
Apesar das queixas das empresas, o setor aéreo continua crescendo. De janeiro a agosto, a oferta de assentos no mercado doméstico subiu 2,91%, enquanto a demanda avançou 3,83%, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Já nos voos internacionais o avanço é maior, de 15,84% na oferta e de 14,74% na demanda. No entanto, as nacionais detêm apenas 30% desse mercado, que tem taxas de ocupação acima de 80%.

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