Rússia marca território

Rússia marca território

No segundo dia de ofensivas, Moscou afirma ter alvos além do Estado Islâmico e estar %u201Cna mesma direção%u201D que a coalizão liderada pelos EUA. Há suspeitas de que tropas iranianas ajudem nas ações terrestres e de que opositores a Bashar Al-Assad tenham sido atacados

postado em 02/10/2015 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)

Mais de um ano depois de a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos realizar bombardeios quase diários contra posições do grupo extremista Estado Islâmico (EI) sem avanços significativos, a participação direta de novos atores no conflito sírio torna o cenário local ainda mais complexo. A despeito das manifestações de preocupação de líderes ocidentais, forças de segurança russas conduziram o segundo dia de bombardeios contra jihadistas. A ofensiva ocorreu em paralelo a tratativas entre militares de Moscou e Washington, que tentam evitar que suas operações na Síria entrem em conflito. Além dos bombardeios russos, tropas iranianas teriam sido enviadas para dar apoio às forças de Damasco e do grupo libanês Hezbollah em solo.


Há relatos controversos nas operações em território sírios. Grupos opositores ao regime de Bashar Al-Assad afirmaram ter sido alvo dos primeiros ataques comandados por Moscou. O Exército russo relatou que cinco posições do EI foram alvo de novos ataques nos arredores de Hama, no centro do país, e Idleb, no noroeste. Uma base terrorista, um depósito de armas, um centro de comando e uma fábrica de carros-bomba teriam sido destruídos. As duas províncias ainda seriam alvo de uma grande ofensiva terrestre realizada com o auxílio de forças iranianas. Segundo a agência de notícias Reuters, centenas de soldados da República Islâmica foram enviados à Síria nos últimos dias para dar apoio às forças leais a Damasco.


Até então, apenas os ataques russos haviam sido oficialmente confirmados. Moscou assegura que atingiu posições de jihadistas ligados ao EI, mas fontes de segurança na Síria afirmaram à agência France-Presse que parte dos disparos atingiu o grupo Exército da Conquista, uma coalizão formada por rebeldes sírios e pela Frente Al-Nusra, ligada à rede Al-Qaeda e inimiga do EI. Um grupo rebelde treinado pelo programa da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA para fortalecer a oposição moderada no país ; orçada em US$ 500 milhões ; também relatou que um de seus campos de treinamento foi atacado pela aviação russa.


Difícil cooperação
Caso sejam confirmados, os ataques contra grupos apoiados pelos americanos podem dificultar a cooperação entre Washington e Moscou. Pesquisadores de centros de estudos internacionais, como o International Crisis Group e o Washington Institute, observaram que a estratégia russa parece ser proteger Damasco e redutos alauitas contra qualquer força insurgente. Sergei Lavrov, chanceler russo, esclareceu à imprensa que seu país tem como alvos ;o EI, a Frente Al-Nusra e outros grupos terroristas;. ;Nós estamos na mesma direção que a coalizão (liderada pelos EUA) nesse ponto;, garantiu.


Lavrov voltou a criticar a eficácia dos esforços internacionais para conter o EI na Síria e no Iraque e destacou que a coalizão liderada por Washington nunca mostrou evidências de quais seriam seus alvos. O chanceler, no entanto, lembrou que Moscou não encara o Exército Sírio Livre, principal força opositora na Síria, como uma organização terrorista. Embora apoie a permanência de Assad no poder, ele considerou que o grupo deve ser parte de uma solução política para a guerra civil no país.


Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, alertou que o envolvimento russo pode prolongar o conflito por tempo ;indeterminado;. Depois de militares de Washington e Moscou participarem de uma videoconferência para discutir a condução das operações de ambos os países na Síria, Earnest classificou a estratégia russa como ;operações militares indiscriminadas contra a oposição síria;.

Iraque
Apesar da preocupação americana, o governo iraquiano, que também luta contra a expansão do EI em seu território, demonstrou interesse pelo auxílio de Moscou. O premiê Haider Al-Abadi declarou à rede de televisão France 24 que seu país estudará qualquer proposta russa de combate ao EI. Um funcionário do alto escalão da chancelaria russa chegou a indicar que a possibilidade seria estudada, caso houvesse um pedido de Bagdá ou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Lavrov, porém, negou que houvesse planos de ampliar os ataques aéreos para o Iraque.


Em paralelo às operações na Síria, a delegação russa apresentou aos 14 membros do Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que condena ;de maneira incondicional; organizações terroristas, mas que inclui o regime sírio em uma ampla coalizão de combate aos extremistas. O texto pede ;a todos os países que participem como puderem nesses esforços e coordenem suas atividades, com o consentimento dos Estados cujos territórios são ameaçados por tais atividades;, em referência aos governos de Síria e Iraque, ;em conformidade com os princípios de soberania e integridade territorial dos Estados-membros;.

Israel desmonta célula terrorista

Sete árabes israelenses foram indiciados ontem em Nazaré, no norte de Israel, por terem formado uma célula que reivindicava pertencer ao grupo Estado Islâmico (EI) e planejar ataques anti-israelenses. Segundo a polícia, os homens, detidos em agosto, ;tentaram adquirir armas, foram treinados e tinham recolhido informação sobre bases militares e delegacias de polícia para atacar sob a bandeira do EI;. Os serviços de segurança estão em alerta há meses contra o perigo que os jihadistas representam a Israel, vizinho da Síria, e também ao Sinai egípcio, onde opera com grupos aliados.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação