Lição com as extinções do passado

Lição com as extinções do passado

postado em 02/10/2015 00:00

À medida que o planeta vê se delinear a sexta extinção em massa da história, os cientistas buscam, no passado, pistas do que poderá acontecer caso os ecossistemas, de fato, entrem em colapso. Seguindo essa linha, um estudo publicado na revista Science investigou um dos mais dramáticos eventos ocorridos na Terra, a chamada Grande Agonia. Trata-se da extinção do Permiano-Triássico, há 250 milhões de anos, quando 95% das espécies marinhas e 70% de todos os seres vivos simplesmente desapareceram.

;Não há precedente para o que vem ocorrendo no nosso planeta atualmente;, diz Peter Roopnarine, pesquisador da Academia de Ciências da Califórnia e um dos autores do estudo. ;Não podemos olhar para a história recente e encontrar esse coquetel de mudanças climáticas aceleradas, destruição do hábitat e extinção global. Contudo, podemos explorar exemplos de crises extremas nos registros fósseis e tentar reconstruir o que ocorreu e como os ecossistemas responderam;, explica. Embora extinções e perturbações climáticas do passado não contassem com os fatores humanos que dirigem o fenômeno atual, Roopnarine diz que elas contêm ;pistas vitais; sobre a resposta das comunidades naturais às crises e podem dizer como a vida se reconstrói após a destruição.

O cientista se concentrou em grandes mamíferos que habitavam a África do Sul e seu interesse foram os fatores que encorajaram ou impediram a estabilidade populacional desses animais face às perturbações ambientais de larga escala. Roopnarine e Kenneth Angielczyk, do Museu de História Natural de Chicago, criaram modelos matemáticos para analisar a estabilidade local desses animais e como ela foi afetada durante a transição Permiano-Triássico. Cadeias alimentares mais estáveis lidam melhor com os distúrbios que afetam sua população, reduzindo a duração e a magnitude desses problemas, além de retornarem mais rapidamente aos estados demográficos.

Depois de testar mais de 100 modelos, os pesquisadores notaram que não é a riqueza de uma espécie em termos numéricos, mas seu papel na cadeia alimentar, que determina quem sobrevive a um período de grandes perturbações ambientais. ;É incrível que alguns ecossistemas se mantiveram relativamente estáveis apesar de imensas perdas de biodiversidade;, disse Roopnarine. De acordo com ele, uma das lições da extinção do Permiano-Triássico é que os cientistas precisam concentrar mais estudos sobre as cadeias alimentares ;; a forma como os ecossistemas interagem e trocam energia. ;Precisamos entender as relações entre as espécies que estamos levando à extinção e o papel que elas desempenham na estabilidade. Precisamos desesperadamente de mais dados sobre o meio ambiente moderno;, conclui.

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