Como numa mesa de bar

Como numa mesa de bar

Com a direção de Chico Anysio, o ator Nelson Freitas fala sobre as várias fases da vida em comédia solo

Rebeca Oliveira
postado em 02/10/2015 00:00



integrante do humorístico global Zorra, Nelson Freitas desembarca em Brasília com o show de comédia Nelson Freitas e vocês. O espetáculo está em cartaz desde 2007 e conta com um relevante diferencial em reação a outros no mesmo formato: a primorosa direção de Chico Anysio, morto em março de 2012.

Versatilidade é a marca registrada de Nelson Freitas. Com poucos recursos de palco e sem troca de figurino, nos moldes dos espetáculos de stand up comedy, o ator conversa com a plateia sobre temas que vão de casamento a futebol, como se dividissem a mesma mesa de bar.

;Costumo dizer que é uma peça sobre relacionamento. Falamos da mais tenra juventude até a melhor idade, passando pela adolescência. Com foco, principalmente, na modernidade das telecomunicações, que mudaram a maneira de nos relacionarmos. Por exemplo: atualmente, as pessoas não têm a menor noção da relação entre uma caneta Bic e uma fita cassete;, diz o divertido ator, inspirado no humor de ídolos da ;velha guarda;, como Jô Soares, Juca Chaves e o próprio Anysio.

;Adventos como a tevê a cabo e a internet mudaram a nossa visão de humor. Ele se tornou uma coqueluche da tevê, do teatro, do cinema e da web, e não era assim há 20 anos. Existia uma separação entre quem fazia humor e quem fazia dramaturgia. Não era qualquer um que se arriscava. Hoje, de cada dez peças, sete têm o humor como característica;, afirma Freitas.

SERVIÇO

Nelson Freitas e vocês

Hoje e amanhã, às 21h; e domingo, às 20h30 no Teatro Ulysses Guimarães, na Unip (913 Sul; 3041-5581). Ingressos a R$ 80 (hoje e domingo)
e R$ 90 (amanhã), à venda pelo site www.bilheteriadigital.com.br ou na Premiere Fitness Academia (503 Sul). Assinante do Correio paga meia.
Não recomendado para
menores de 14 anos.

Duas perguntas para
Nelson Freitas

A experiência em musicais,
como Se eu fosse você, influi no ritmo da peça?
Nunca havia parado para pensar sobre isso, mas tenho certeza que sim. Quando se faz um espetáculo musical, é uma disciplina louca até para os atores mais experientes. Tem tudo a ver, no sentido de manter o ritmo do espetáculo. É preciso um dinamismo alucinante, como fazem outros artistas, como meu amigo Fábio Porchat.

A peça está em cartaz há oito anos. Como renovar o texto
sem perder a fidelidade aos
direcionamentos que Chico
Anysio lhe deu?
Eu e ele idealizamos um espetáculo amorfo. Ele teria uma espinha dorsal e funcionaria de acordo com a plateia. Eu não tenho aquela obrigação da ;deixa;, é uma obra em aberto e que está em movimento o tempo inteiro. Era inevitável que tivéssemos mudanças radicais. Por exemplo, tinha um personagem bêbado que era muito engraçado e interessante, mas ele me tomava muito tempo em cena. Eu tive que sacrificá-lo.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação