Prevenir exige mais alertas rosas ou azuis

Prevenir exige mais alertas rosas ou azuis

postado em 31/10/2015 00:00
Hoje se despede o Outubro Rosa, campanha de prevenção do câncer de mama. Durante 30 dias, as mensagens reforçaram o alerta tradicional de que é preciso cuidar dos seios para não perdê-los. A mulher não pode negligenciar o próprio corpo. No Brasil, 1 milhão de novos casos ocorrem por ano ; 134 por dia ou 5 a cada hora. No Sudeste, a taxa bruta de incidência chega a 71 em cada grupo de 100 mil, configurando-se a mais alta do país. A mamografia ainda é exame obrigatório para quem chegou aos 40 anos. A partir daí, o risco cresce. O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de cura.

Este ano, o Outubro Rosa mexeu, mais uma vez, com corações e mentes. As peças publicitárias tocaram fundo na sensibilidade das pessoas. Os depoimentos ; por vídeos ou áudios ; vieram de mulheres que perderam a mama para o câncer ou buscam reparação por meio de próteses. Protagonistas da campanha comoveram o público e deixaram patente a importância da prevenção.

Mas despertar a solidariedade e renovar a mensagem pela precaução não basta. Impõe-se ir além. O acesso a exames preliminares e complementares, no sistema público de saúde, é via-crúcis para a maior parcela das mulheres. Embora a rede seja dotada de equipamentos tão sofisticados quanto os das melhores unidades particulares e conte com profissionais de excelente nível, chegar até eles é drama a ser superado.

O que fazer? A indagação, envolvida em desespero, é reação imediata de quem tem consciência de que postergar o tratamento implica mutilação ou perda da vida. O Estado patrocina o alerta, mas é insuficiente. É preciso mais. Impõe-se garantir, antes de mais nada, assistência adequada. Torna-se essencial rever sistemas e processos para que não faltem os meios aos cuidados indispensáveis ao pronto restabelecimento da saúde.

As luzes rosas que deram cor aos monumentos nas principais cidades brasileiras precisam iluminar novo tempo, em que a humanização da saúde seja acompanhada de atendimento eficaz às mulheres e aos homens ; com câncer ou com outras moléstias que lhes afetam a higidez. O Brasil precisa avançar na qualidade dos serviços oferecidos à população e romper com o ciclo de indigência que infelicita e enluta famílias. O Outubro Rosa dá adeus e abre passagem para o Novembro Azul, alerta para que os homens também se cuidem.





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