Hora de cair a ficha

Hora de cair a ficha

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA placidofernandes.df@dabr.com.br
postado em 31/10/2015 00:00
;O PT não rouba nem deixa roubar;, contou-me um primo, Ednaldo, um dos dois fundadores do partido em Salgueiro, que o então todo-poderoso José Dirceu proferiu essa frase para entusiasmados dirigentes petistas que vieram de todo o país assistir à histórica posse de Lula em Brasília em janeiro de 2003. O PT chegava ao poder com a promessa de uma nova prática. Pautada sobretudo pela ética. Mas era apenas discurso, que começaria a desmoronar quando veio à tona o caso Waldomiro Diniz, à época assessor do próprio Dirceu na Casa Civil. Depois, Roberto Jefferson detonaria o escândalo do mensalão.

Desde então, para muita gente, o muro da ingenuidade ruiu. Não é questão de ideologia. Esquerda versus direita. Socialismo versus capitalismo. Justiça social versus injustiça social. Trata-se pura e simplesmente de caso de polícia. De ladroagem de dinheiro público que envolve políticos, lobistas e empresários desonestos. Quando um político da direita ou da esquerda rouba está cometendo um crime. Não é aceitável que um projeto de poder legítimo tenha como base a corrupção. Se tiver, não é legítimo ; apesar de, nas redes sociais, direitistas que viraram petistas desde criancinhas sustentarem o contrário e ganharem ;likes; de ;esquerdistas;.

E ninguém duvide: os ladrões de cofres públicos, não importa de que partido, sabem do mal que estão perpetrando quando roubam dos brasileiros o direito à dignidade que é ter educação, saúde, segurança e transporte públicos decentes. Todos conhecem bem a gravidade do crime, mas apostam na impunidade, na morosidade da Justiça, na influência que imaginam ter sobre magistrados, sobre a Polícia Federal, sobre o Ministério Público... Só não contam com o imponderável. Nunca nenhum deles imaginou que um juiz, como o que comanda a Lava-Jato, fosse corajoso o bastante para desmantelar o esquema criminoso e expor a verdadeira face dos malfeitores perante a opinião pública.

O grave é que, além do assalto à Petrobras, cresce a suspeita ; e também a indignação, só de pensar nisso ; de que o butim se estende a todo e qualquer recurso público. Do lanche das crianças nas escolas a remédios que não deveriam faltar nos hospitais. Como pode um país chegar a uma situação dessa e ainda ter gente achando que é um simples embate entre esquerda e direita? Sei que é difícil, mas é preciso deixar que caia a ficha.





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