Lutador vê UFC enfraquecido

Lutador vê UFC enfraquecido

Baiano diz que organização não é mais a mesma desde os episódios de doping de Anderson Silva e Jon Jones

VÍTOR DE MORAES
postado em 31/10/2015 00:00
 (foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
(foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)


A família Machida ama as artes marciais. Yoshizo é um dos maiores nomes do caratê no Brasil, Take tornou-se mestre no esporte do pai e no jiu-jítsu e Chinzo descambou para o MMA. O mais famoso do clã, entretanto, está em hiato. Ex-campeão dos meio-pesados do UFC, Lyoto precisou dar um tempo ao corpo. Foram três lutas e três cirurgias em sete meses. A derrota para Yoel Romero, em junho, acabou sendo a última aparição do Dragão no octógono.
Lyoto terminou 2014 com uma vitória sobre CB Dollaway. Em seguida, porém, perdeu para Luke Rockhold e Romero. Cansado, decidiu dar um tempo. Ouviu da sogra pedido para deixar as artes marciais mistas e cuidar da família. Teimoso, agradeceu a preocupação, mas não quer encerrar a carreira. A metralhadora de perguntas sobre aposentadoria veio. E já incomoda o lutador. ;Ficou chato, muito repetitivo;, reclama, em entrevista ao Correio.

O baiano ocupa a quinta posição do ranking dos pesos-médios ; em 2013, mudou de categoria. Entre os treinos em Los Angeles, o lutador visita a família e ministra cursos pelo Brasil. Hoje, ele estará na Academia Unique (Sudoeste) para ensinar instruções técnicas das artes que domina. Ontem à noite, ele esteve em um shopping de Ceilândia para uma sessão de autógrafos.

Machida tenta voltar ao topo do UFC, mas sabe que a organização não é mais a mesma desde que astros como Anderson SIlva e Jon Jones ;melaram; o nome da franquia com acusações de doping. ;Perdeu força (o UFC), foi o que ouvi falar. Aqui no Brasil, muita coisa mudou em relação ao UFC;, diz, misterioso.

Você pediu um tempo ao UFC
para se recuperar e lutar em
fevereiro ou março. É normal isso? Não fica malvisto?
Depende. Fiz várias lutas, mereci esse tempo. Para eles, não fez tanta diferença, eu cobri algumas lutas, então, praticamente ganhei esse direito.

Quanto tempo de descanso
é necessário entre uma luta e
outra? O que determina isso?
Depende de como foi a luta. Se foi dura, normalmente precisamos de uns quatro, cinco meses. O pior não é a luta, é a preparação, é o que demanda tempo.

O que fazer nesse intervalo?
Após a luta, eu tento relaxar por uns 10, 15 dias. Depois, volto aos treinos sem compromisso de ter de lutar. Faço atividades leves, mais para manter o corpo ativo.
Como afeta a preparação
vir de duas derrotas seguidas? Muda sua postura,
já que precisa vencer?
Sim, lógico. Mas tenho de esquecer isso agora. Preciso me concentrar para a próxima preparação e me dedicar.
Michael Bisping se lesionou e
precisou desistir do UFC 193, em novembro. Isso facilita
a marcação de uma luta
entre vocês no início do ano?
Acho que sim. A luta dele foi adiada, então tem tudo a ver casar este combate agora.
Cinco brasileiros foram demitidos do UFC neste mês. Como avalia a situação nacional
na organização?
O Brasil não está ruim, está bem. Tem três cinturões, isso mostra a nossa força. Mas os patrocinadores poderiam investir mais nesse esporte muito cobiçado, de que muita gente gosta.

O UFC perdeu força
por causa dos escândalos
de doping de Anderson
Silva e Jon Jones, dois
dos maiores nomes?
Acredito que sim, perdeu força, sim. Foi o que ouvi falar. Aqui, no Brasil, muita coisa mudou em relação ao UFC. Mas isso é cíclico, daqui a pouco volta, é um processo.

Você tem ouvido
muitas perguntas
sobre aposentadoria,
isso incomoda?
Ficou muito repetitivo, chega a ser chato as pessoas falarem e tudo mais. Mas, como profissional, tenho de entender os jornalistas, os fãs, e vou sempre dar uma resposta.

Como avalia sua imagem
atual no UFC?
É difícil falar, procuro não pensar muito nessas coisas.

O lutador Tim Kennedy
criticou um contrato de
patrocínio do UFC e disse
que gostaria de voltar a
lutar no rival Bellator.
Você assinaria com a
outra organização?
É uma realidade muito distante para comentar sobre isso. Ainda quero ficar no UFC, lutar muito na organização.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação