Tensão no PMDB carioca

Tensão no PMDB carioca

Prefeito do Rio, Eduardo Paes, sai em defesa do secretário municipal Pedro Paulo, que será investigado pela Procuradoria-Geral da República por violência doméstica

» PAULO DE TARSO LYRA
postado em 09/11/2015 00:00
 (foto: Tomaz Silva/Agencia Brasil)
(foto: Tomaz Silva/Agencia Brasil)


Contrariando as expectativas da cúpula do governo fluminense, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Marfan Martins Vieira, encaminhou para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o inquérito que investiga a agressão cometida pelo pré-candidato à prefeitura do Rio pelo PMDB e secretário executivo de coordenação de governo, Pedro Paulo Carvalho, contra a ex-mulher Alexandra Mendes Marcondes. A alegação é de que Pedro Paulo é deputado federal licenciado, e que, por isso, só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Caberá à PGR definir se denunciará o secretário por violência doméstica.

Apesar da ameaça de processo, ele continua a gozar da total confiança tanto do prefeito do Rio, Eduardo Paes, quanto do governador do estado, Luiz Fernando Pezão. Os três participaram, na manhã de ontem, da entrega do Centro de Transmissões das Imagens das Olimpíadas de 2016. Além deles, esteve presente ao evento o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos, Carlos Arthur Nuzman.

Pedro Paulo evitou comentar tanto a agressão quanto a investigação da qual é alvo. Coube a Paes fazer a defesa enfática de seu secretário. ;Ele é o melhor candidato;, afirmou. ;O meu candidato é o Pedro Paulo e vai continuar até o fim.; O PMDB já havia divulgado nota na última sexta-feira informando que ;não cogita outro nome para a sucessão do prefeito que não seja o do secretário Pedro Paulo;. Para o comando regional da legenda, ;as notícias (sobre as agressões) já foram esclarecidas e não são motivo de preocupação para o PMDB-RJ;.

Entretanto, a questão não está tão bem resolvida dentro do partido. Como adiantou o Correio na coluna Brasília-DF da última terça-feira, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, torce para que o processo contra Pedro Paulo provoque desgastes na imagem do peemedebista a fim de que a discussão sobre o candidato à sucessão de Paes seja reaberta. Picciani quer que, em caso de troca, o novo pré-candidato seja o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani. Ou até mesmo o atual líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ).

Paes e Pezão esperavam que o caso fosse concluído no âmbito estadual, mas o clima no PMDB fluminense, definitivamente, não está bom. Na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff encontrou-se com Jorge e Leonardo Picciani no Palácio do Planalto. Oficialmente, eles teriam discutido a sucessão municipal. Mas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta processo no Conselho de Ética, desconfia de que o Planalto estimula Leonardo Picciani a concorrer ao comando da Casa, caso o atual titular seja cassado por envolvimento com a Operação Lava-Jato.

Traição

A discussão entre Pedro Paulo e Alexandra ocorreu em 2010, quando eles ainda eram casados, depois de ela descobrir uma traição. Na última quinta-feira, o secretário admitiu as agressões em entrevistas e pediu desculpas públicas pelo episódio. ;Não nego o erro que cometi;, afirmou ele, que se referiu ao fato como ;um descontrole; do casal.


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