Critério geopolítico nas compras

Critério geopolítico nas compras

postado em 09/11/2015 00:00
 (foto: Divulgação/Rostec)
(foto: Divulgação/Rostec)


O Brasil mantém relações comerciais na área de defesa com diversos países e amplia as parcerias entre as indústrias estrangeiras por meio de acordos. A maior parte das importações de produtos de defesa tem origem nos Estados Unidos, na França, em Israel, na Espanha e na Alemanha. No entanto, o Brasil buscou ampliar as parcerias com países como África do Sul, China e Rússia.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa (Abimde), Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, a concorrência no setor é grande, mas depende também de restrições ao fornecedor. ;O Brasil goza de simpatia mundial por não ter inimigos, o que facilita as negociações;, disse.

Depois que a Venezuela comprou um lote de caças russos, o Brasil começou a estudar a aquisição do sistema de artilharia antiaérea móvel, armado com mísseis superfície, o Pantsir-S1, também russo. Mas a assinatura do contrato para a compra do equipamento vem sendo adiada nos últimos anos.

Agora, o foco é os Jogos Olímpicos de 2016, visto que o armamento foi desenvolvido para proteger instalações militares, industriais e administrativas. Em entrevista concedida em Moscou ao Correio em agosto, Sergey Goreslavskiy, vice-diretor da Rosoboronexport, braço exportador de produtos militares da Rostec, afirmou que as negociações para compra do Pantsir por parte do Brasil estavam avançadas, com chances de um contrato de US$ 1 bilhão. Mas o embaixador brasileiro em Moscou, Antonio José Vallim Guerreiro, afirmou que a assinatura do contrato, limitado a US$ 500 milhões, ficou para 2016.

Para integrantes do ComDefesa da Fiesp, no entanto, os equipamentos russos não são eficientes no Brasil. ;Toda nossa tecnologia é ocidental, e os russos não dão manutenção apropriada. Esse projeto do Pantsir-s1 é outra compra política que as Forças Armadas vão ter que engolir;, alertou um integrante do órgão. Dos 12 helicópteros MI-35 comprados pelo governo, metade não levantou voo porque é utilizada para reposição de peças.

Guarani

As Forças Armadas sofrem com a postergação dos investimentos. O general de brigada Eduardo Castanheira Garrido Alves, 6; subchefe do Estado-Maior do Exército, explica que o Guarani, que prevê o compromisso de aquisição de 60 blindados por ano, é um dos três projetos prioritários da Força que constam do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC). Além dele, há o Sistema de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) e o Astros2020, sistema de lançador de foguetes guiados e mísseis que alcançam 300 quilômetros. O Exército também prioriza a Defesa Cibernética. ;Ninguém ouviu falar, mas sofremos ataques cibernéticos durante a Copa, que o Exército combateu. Agora, nós nos preparamos para enfrentar nas Olimpíadas. Mas o aporte de recursos está aquém do desejado;, queixou-se Garrido.

O prazo de compra de blindados Guarani foi repactuado para 2035 e o projeto Astros2020 adiado de 2019 para 2022, explicou o general. O percentual de investimento no Exército, reforçou, é muito inferior ao de outros países com economia, população e dimensão similares às do Brasil.

A Marinha prevê a necessidade de ter à disposição cerca de R$ 3,6 bilhões em investimentos anuais, para dar continuidade ao Programa Nuclear da Marinha (PNM), ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e à recuperação da capacidade dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais. O orçamento atual, considerando o corte aplicado de R$ 2 bilhões, prevê empenho máximo de R$ 3,9 bilhões. (SK)


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