Brasil Central: agenda de superação da crise

Brasil Central: agenda de superação da crise

» THIAGO PEIXOTO Economista, deputado federal licenciado (PSD-GO) e secretário de Gestão e Planejamento de Goiás (Segplan)
postado em 09/11/2015 00:00

Reportagem de setembro de 2011, publicada pelo Correio Braziliense, ressaltava a pujança econômica do eixo Brasília-Goiânia, passando por Anápolis. Conforme dados do texto, baseados em levantamentos socioeconômicos, políticos e populacionais, a região entre as duas capitais figurava como o terceiro maior aglomerado urbano do país, com Produto Interno Bruto (PIB) de mais de R$ 1 bilhão por quilômetro (R$ 230 bilhões para 200 quilômetros). Também destacava que, de cada R$ 10 gerados em riqueza no Centro-Oeste, nada menos do que R$ 7 saíam dali. Esse é apenas um dos exemplos da realidade e do potencial da região.

De lá para cá, o Brasil passou a vivenciar uma crise. Mas, de toda forma, a região descrita pela reportagem continua forte e com boas perspectivas, assim como o Centro-Oeste e as unidades que compõem o bloco recém-formado do Brasil Central (Goiás, DF, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia). Existem, aqui, exemplos de um Brasil que dá certo. Uma das bases de nossa confiança é econômica. Nada menos do que 11,27% do PIB nacional está no Brasil Central.

De tudo o que a agropecuária produz no país, 25,6% saem daqui (dados de 2012). A região tem significativo peso em produtos importantes: algodão (66,21%), soja (44,59%) e milho (26,16%) ; dados de 2012/13. Com relação a rebanhos, temos: 41,89% dos bovinos; 14,84% dos suínos e 10,74% das aves (2013). Em 2014, enquanto o resultado da balança comercial brasileira foi negativo em US$ 4 bi, o dos estados da região e do DF somou US$ 15 bi positivos.

A criação do bloco não se deu por acaso. O Brasil Central tem semelhanças entre si. Com exceção do Distrito Federal, que tem perfil mais urbano e forte peso do setor de serviços, os demais componentes têm em comum o agronegócio. Nesse sentido, as questões de infraestrutura são de interesse mútuo. Mas não se trata de pensar logística como simples corredor vazio de escoamento. A ideia é mais ampla e tem que prever a criação e a consolidação de um eixo tecnológico agroindustrial sustentável.

O discurso que prevalece hoje no Brasil é o de crise. No entanto, ao contrário de outros locais, no Brasil Central, esse momento é entendido como oportunidade. É posição comum aos seis governadores. A situação serviu como combustível para que eles se juntassem e, em pouco tempo, definissem uma agenda positiva e voltada para a elaboração de ações desenvolvimentistas e de integração regional.

Entre julho, quando aconteceu o 1; Fórum dos Governadores do Brasil Central, em Goiânia, e a segunda semana de novembro, quando o quinto encontro ocorrerá em Brasília, muita coisa aconteceu. O bloco político/econômico e apartidário foi criado formalmente e levou à formatação e à implantação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central, primeiro instrumento do tipo no Brasil, que terá sede física na capital federal.

O Consórcio Brasil Central será um mecanismo de formulação e execução de políticas públicas de interesse da região. Ele contará com carteira de projetos em oito grandes áreas: agropecuária, empreendedorismo, infraestrutura e logística, educação, inovação (ciência e tecnologia), meio ambiente e turismo. A ideia é desenvolver programas e ações nessas áreas que promovam o fortalecimento da integração regional, seja por meio de projetos com dinheiro público, seja por financiamentos de organismos internacionais.

Em outubro, no Congresso Nacional, foi criada a Frente Parlamentar Mista do Brasil Central. Ela será um instrumento atuante de apoio à política que será desenvolvida pelos governadores no Consórcio Brasil Central. Com o peso das bancadas de cinco estados e do DF na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e com um objetivo claro de buscar benefícios para a região, ficará mais efetivo o papel da frente.

Com o novo modelo de política regional que está sendo desenhado, no qual os governadores, além de buscar fontes de recursos alternativas, pretendem ter uma postura mais ativa e decisiva perante as agências de desenvolvimento (como Sudeco e Sudam, que administram os fundos regionais do Centro-Oeste e Amazônia), a expectativa é tirar do status de plano e do papel projetos importantes. Nesse pacote pode ser incluído, por exemplo, o sonho antigo de uma ligação ferroviária entre Brasília e Goiânia.

Mais do que reclamar da atual situação, o Brasil Central está definindo agenda efetiva para superar a crise. A região tem condições de sair primeiro deste momento ruim. Existem, como já foi dito, sustentação e potencial econômico. Além disso, está sendo feito criterioso planejamento, com base em estudos, projetos, estatísticas e indicadores. Já se sabe, em linhas gerais, o que é preciso fazer. Só é preciso definir os mecanismos corretos. E é nesse sentido que o bloco está caminhando.


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