Perícia: chance de bomba é de 90%

Perícia: chance de bomba é de 90%

Investigadores estão cada vez mais convencidos de que um atentado derrubou o Airbus 321. O grupo, porém, não descarta a explosão por outros fatores, como o aquecimento de baterias

postado em 09/11/2015 00:00
 (foto: Maxim Grigoryev/AFP - 1/11/15)
(foto: Maxim Grigoryev/AFP - 1/11/15)


Em meio às investigações sobre as possíveis causas da queda do Airbus A321 na Península do Sinai, no Egito, ganham ainda mais força as suspeitas de que uma bomba pode ter derrubado a aeronave com 224 pessoas a bordo. Depois de investigadores terem afirmado à agência de notícias Reuters que tinham ;90% de certeza; de que o barulho captado no fim do registro de áudio da cabine do jato era de uma explosão provocada por uma bomba, funcionários da inteligência americana relataram à rede de televisão CNN que essa hipótese é cada vez mais considerada provável.

O avião da companhia russa Metrojet ia do balneário egípcio Sharm Al-Sheikh para São Petersburgo, na Rússia, mas caiu 23 minutos após a decolagem. Todos os ocupantes morreram. Apesar de militantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) terem reivindicado a derrubada da aeronave no mesmo dia, autoridades tem sido cautelosas ao abordar a possibilidade de uma ação terrorista.


"Não devemos descartar nenhuma hipótese, mas evidentemente a de um atentado é levada muito a sério;
Manuel Valls, primeiro-ministro francês


A hipótese, no entanto, ganhou força com o áudio na cabine presente na caixa-preta. As gravações mostram um som similar ao de uma explosão momentos antes da queda do Airbus. Um investigador egípcio contou à Reuters que análises preliminares do conteúdo indicam que houve uma detonação. ;Temos 90% de certeza de que foi uma bomba;, afirmou.

Apesar de considerar cedo para tirar conclusões sobre o caso, Ayman Mokadem, chefe dos investigadores, informou que aeronave aparentava ter quebrado no ar quando começaria a ser operada pelo piloto automático e, então, um estrondo foi registrado. Mokadem observou que os destroços do jato ficaram espalhados por um raio de 13 quilômetros, o que seria consistente com uma ruptura da estrutura durante o voo.

O capitão considerou que fatores como a fadiga da estrutura metálica do avião, o superaquecimento de baterias ou uma explosão no tanque de combustível poderiam ser a origem do barulho registrado na caixa-preta. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, também apostou ontem um discurso mais cauteloso. ;Não devemos descartar nenhuma hipótese, mas evidentemente a de um atentado é levada muito a sério;, disse em uma entrevista.

Caso seja confirmado que a ação de extremistas está por trás da queda do avião no Sinai, o setor de aviação civil e o turismo egípcio devem ser afetados. ;O que aconteceu em Al-Sheikh e, em menor medida, com o avião da Germanwings (derrubado pelo copiloto da aeronave em março passado) é elemento que muda o jogo;, afirmou à imprensa Tim Clark, presidente da Emirates Airlines. ;Esses casos precisam ser tratados em nível industrial, pois não há dúvidas de que os países farão exigências rigorosas sobre como a aviação trabalha com a segurança.;

Retirada

Em paralelo às investigações, autoridades russas informaram que mais de 11 mil turistas do país foram retirados do Egito em menos de 24 horas. Moscou suspendeu todos os voos de carreira com destino ou origem no Egito após a queda do Airbus e colocou em operação uma série de voos especiais para repatriar os cerca de 80 mil russos no país.



Apesar da operação de retirada, o Kremlin insiste que a decisão de suspender os voos para o Egito não significa que o governo acredita na hipótese de um atentado. O vice-premier russo, Arkadi Dvorkovich, no entanto, afirmou que serão enviados analistas para inspecionar os aeroportos egípcios e verificar a necessidade de reforço da segurança.

Autoridades do Reino Unido também iniciaram operações para repatriar os quase 20 mil britânicos que estavam em Sharm El-Sheikh e ao menos 3,5 mil já retornaram ao país. A embaixada britânica no Egito observou que a medida não se trata de uma evacuação, mas de um serviço de assistência aos cidadãos que queiram interromper suas férias e regressar para casa.


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