Moro quebra sigilos de Vaccari e do PT

Moro quebra sigilos de Vaccari e do PT

Juiz atende pedido de Ministério Público Federal e autoriza análise dos dados telefônicos do ex-tesoureiro da legenda e de linhas do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores

postado em 13/11/2015 00:00

O juiz federal Sérgio Moro decretou a quebra do sigilo telefônico do PT e de pelo menos seis números que seriam utilizados pelo ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, preso desde março, em Curitiba, acusado de ser operador de propinas no bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a abertura de dados alcança um período de quase cinco anos, 2010 a 2014 ; abrangendo três campanhas eleitorais.


A força-tarefa da Operação Lava-Jato aponta o uso da legenda como forma de ocultar dinheiro desviado da estatal por meio de contribuições e doações de campanha. Moro atendeu um pedido do Ministério Público Federal, que acusa formalmente Vaccari em uma ação penal pelo uso de uma gráfica ligada ao partido para supostamente lavar dinheiro da Petrobras. O ex-tesoureiro é réu acusado de corrupção e lavagem.;Defiro o requerido e decreto a quebra do sigilo dos terminais telefônicos acima, incluindo dos dados das ligações efetuadas no período de 22 de julho de 2010 a 31 de dezembro de 2014;, decidiu Moro.


A ordem de quebra do sigilo atinge o coração do PT, cuja sede fica situada na Rua Silveira Martins, Centro de São Paulo. Os telefones alvos são: (11) 3188-5218; (11) 99325-9751; (11) 3243-1356; (11) 5589-7500; (11) 99299-1683; (11) 3243-1313; e (11) 97618-1208. ;A medida pretendida é adequada e necessária para possibilitar a identificação dos registros das chamadas originadas e recebidas pelos terminais alvos da investigação e seus respectivos interlocutores, bem como a localização geográfica em que se encontravam os alvos no momento das comunicações de interesse da investigação criminal, por meio de antenas que captaram o sinal;, sustenta o MPF no pedido.


Os investigadores da Lava-Jato descobriram que propina do esquema da Petrobras teria sido canalizado para Editora Gráfica Atitude por meio de repasses do executivo Augusto Ribeiro Mendonça ; do grupo Setal ;, um dos delatores da operação. Ele revelou que o ex-tesoureiro lhe pediu R$ 2 milhões para o partido e sugeriu que o depósito fosse feito em favor da gráfica. Mendonça diz que repassou parte do montante.


O PT informou que não vai comentar a decisão do juiz. O criminalista Luiz Flávio Borges D;Urso, que defende o ex-tesoureiro do PT, requereu ao juiz Sérgio Moro nesta quarta-feira, que exclua da quebra de sigilo os telefones do PT e do Sindicato dos Bancários. ;O que pretende o representante do Ministério Público Federal é, a partir de uma apuração sem foco para tentar encontrar um fato, afrontando direitos constitucionais, realizar a quebra injustificada do sigilo telefônico de instituições e pessoas que nada têm com o presente processo, nem temporalmente, nem faticamente, para só depois verificar se existe alguma relevância para os autos;, protesta o criminalista.





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