Volta às aulas

Volta às aulas

postado em 13/11/2015 00:00

Talvez nenhuma greve comprometa tanto o futuro quanto a dos professores. Com a paralisação, o fluxo normal do calendário se interrompe em pleno curso. Milhares de estudantes, sem aulas, ficam soltos, com a vida suspensa até ninguém sabe quando. Tornam-se, involuntariamente, sem-sem ; sem trabalho e sem estudo. Os brasilienses permaneceram 29 dias com os braços cruzados.

Nada menos de 460 mil alunos ficaram em casa ; muitos sem o apoio da família, obrigada a cumprir obrigações profissionais. Vem, pois, em boa hora a notícia do retorno às atividades a partir de hoje. Graças à mediação da CNBB, da OAB e de deputados das bancadas distrital e federal do DF, o sindicato e a categoria decidiram bater ponto final no movimento.

Comissão composta por representantes das partes e dos mediadores continuará sentada à mesa de negociações para contornar arestas ainda existentes. Entre elas, o pagamento de reajuste previsto para outubro de 2015 que, por problemas de caixa, foi adiado para outubro de 2016. Também se encontra em compasso de espera o perdão da multa imposta pela Justiça ao sindicato quando do julgamento da legalidade da greve ; R$ 400 mil diários.

A volta às aulas implica duplo desafio. De um lado, repor conteúdos com a qualidade indispensável para que as crianças e os jovens não sejam punidos por falta que não cometeram. De outro, motivar docentes e discentes para que façam a travessia com a necessária eficácia. Pedras caras às duas partes estão no caminho. Entre elas, as férias, pois parte das quais tem de ser sacrificada para o cumprimento do calendário.

Não só. Estudantes do terceiro ano do ensino médio não têm como fugir do prejuízo. Farão o vestibular em desvantagem em relação a concorrentes que cursaram os dias letivos no período regular. Famílias que tradicionalmente planejam viagens no início do ano terão de cancelá-las em nome da causa maior ; a educação dos filhos.

É lamentável. Avaliada, a paralisação não tem vencedores. As reivindicações que motivaram o movimento não têm respostas definitivas. A comissão criada para solucionar impasses vai se reunir em janeiro para prosseguir os entendimentos.

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