(Quase) no valor de face

(Quase) no valor de face

PAULO DE TARSO LYRA paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 13/11/2015 00:00


1; de fevereiro de 2015. Eduardo Cunha é eleito presidente da Câmara, vencendo o PT e o governo de maneira irrefutável. Recebeu 267 votos favoráveis, contra 136 do petista Arlindo Chinaglia. Prometeu a altivez e independência do parlamento e impôs série de derrotas ; amargas ; à presidente Dilma Rousseff.

3 de novembro de 2015. O Conselho de Ética da Câmara instaura processo que poderá resultar na cassação de Eduardo Cunha por quebra de decoro parlamentar, com base nas investigações da Operação Lava-Jato. O principal argumento é de que ele mentiu à CPI da Petrobras ao dizer que não teria contas na Suíça.

Eduardo Cunha é inteligente, estudioso, trabalhador... e manipulador. Quem disse isso não foi um dos seus inimigos, mas uma liderança oposicionista. A oposição desistiu de dar amparo a Cunha em troca da moeda do impeachment e, desgastada perante a opinião, preferiu aderir à pressão para que ele deixe o cargo antes do término do processo no Conselho de Ética da Casa.

Já a bancada do PT está amordaçada pela direção nacional, que proibiu qualquer movimento contra Cunha, para que ele não acelere o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Comodamente, no entanto, a legenda estimula os movimentos sociais a queimar bonecos do peemedebista fluminense. Lá na frente, confidenciou um cacique petista, poderão dizer a Cunha: ;Temos de ouvir as vozes das ruas. E elas já não o apoiam;.

A ascensão de Cunha, de parlamentar de primeiro mandato em 2003 a presidente da Casa, foi meteórica. Até se eleger líder da bancada do PMDB, em 2014, contudo, ele sempre transitou bem no médio escalão da Casa. Nunca foi formulador de políticas do partido.

A eleição para a presidência da Câmara e a capacidade de articulação, que lhe é inerente, fizeram com que passasse a ser cortejado pela oposição e pelo governo. Foi abandonado pelo primeiro, e é visto com desconfiança pelo segundo. O apoio concreto que lhe resta vem daqueles que estavam com ele antes de fevereiro. Cunha, hoje, está quase do mesmo tamanho que tinha há dois anos. Mas ainda é presidente, inteligente e manipulador. O jogo, definitivamente, não está jogado.


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