Drogas na família

Drogas na família

Dois sobrinhos da primeira-dama, Cilia Flores, são detidos no Haiti e acusados nos Estados Unidos por narcotráfico. O presidente denuncia "ofensiva" de Washington contra o chavismo, a menos de um mês das eleições legislativas

postado em 13/11/2015 00:00
 (foto: Fabrice Coffrini/AFP)
(foto: Fabrice Coffrini/AFP)





Dois sobrinhos da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, podem ser condenados à prisão perpétua por narcotráfico, nos Estados Unidos. Francisco Flores de Freitas, 30 anos, e Efrain Antonio Campo Flores, 29, identificados como sobrinho e filho de criação do presidente Nicolás Maduro, foram detidos na noite de terça-feira, no Haiti, enquanto negociavam o contrabando de 800kg de cocaína para os EUA. Ontem, foram apresentados a um tribunal de Nova York e acusados formalmente. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, confirmou as prisões, mas não a identidade da dupla.

A ação dos dois era acompanhada desde outubro por agentes da DEA, a agência antidrogas norte-americana, que colheram provas em áudio e vídeo. Nenhuma autoridade venezuelana comentou diretamente o caso. Em sua conta no Twitter e em um discurso para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Maduro falou indiretamente sobre o caso e denunciou ;emboscadas imperialistas; para desestabilizar seu governo, a menos de um mês das eleições parlamentares venezuelanas, marcadas para 6 de dezembro. As relações entre Washington e Caracas estão congeladas desde 2010, quando ambos os governos retiraram os respectivos embaixadores.

De acordo com uma fonte que participou da ação contra os parentes do presidente, citada pelo The Wall Street Journal, os dois jovens procuraram em outubro um informante do DEA em Honduras, que agia encoberto, para organizar o transporte de drogas. Em um encontro posterior, na Venezuela, os rapazes entregaram 1kg de cocaína para o informante, como amostra do produto que pretendiam contrabandear.

Agentes conseguiram filmar e gravar em áudio ao menos um encontro que antecedeu a detenção dos sobrinhos da primeira-dama. De acordo com funcionários americanos, grande parte da cocaína produzida na Colômbia passa pela Venezuela antes de ser levada para os EUA e a Europa. Os agentes acreditam que a droga que seria transportada por Francisco e Efrain passaria por Honduras e pelo México antes de seguir com destino a Nova York.

Os dois apresentaram passaportes diplomáticos e alegaram imunidade, no momento da prisão. O pedido foi desconsiderado pelos agentes, que entenderam não haver comprovação do direito. O ex-chefe de operações internacionais da DEA Michael Vigil, citado pela rede de tevê CNN, justificou a ação dos agentes, explicando que o uso desse tipo de documento é muito comum na Venezuela. A oposição do país cobrou do governo explicações sobre o uso dos passaportes, e alguns porta-vozes reclamaram a renúncia de Maduro.



Investigação
Em março passado, agentes da DEA lançaram uma investigação contra familiares da primeira-dama venezuelana, que é apontada de maneira recorrente como o verdadeiro poder por trás do governo de Maduro. Cilia Flores é ex-presidente da Assembleia Nacional e foi advogada do falecido presidente Hugo Chávez. Chamada pelo marido de ;primeira combatente;, acredita-se que ela tenha uma legião própria de seguidores entre os simpatizantes do chavismo. Investigadores suspeitam que a família da primeira-dama tenha ligação com o Cartel de Las Flores.

Altos dirigentes políticos, militares e policiais venezuelanos do país estão na mira de promotores americanos, que os acusam de terem transformado o país em um centro global de tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. O atual presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, considerado o ;número dois; na hierarquia do regime e visto por alguns analistas como rival de Maduro, é oficialmente investigado por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Cabello foi citado por seu ex-chefe de segurança, Leamsy Salazar, que fugiu para os EUA, como o líder do Cartel de Los Soles, que, segundo suspeitas, é composto basicamente por militares.

Walter Jacob Gavidia Flores, filho da primeira-dama, também foi acusado pelo ex-segurança de Cabello. Assim como eles, o governador do Estado de Aragua, Tarek el Aissami, ex-ministro do Interior, é alvo de denúncias. Todos negam as acusações.


Oposição denuncia
;cabide; no correio


Um diretor do organismo que supervisiona o Correio Argentino (Corasa) apresentou à direção da empresa um pedido de informações sobre a incorporação de mais de 5 mil funcionários entre janeiro e junho passados ; o que corresponde a um aumento de 30% no pessoal e de 50% na folha de pagamento. Miguel Angel Giubergia representa a oposição na Autoridade Federal de Tecnologia da Informação e Comunicações (Aftic), entidade que controla o funcionamento do Corasa. ;Chamou a nossa atenção esse aumento desmesurado no número de funcionários; do correio, disse Giubergia ao jornal Clarín. ;Queremos que informem, no prazo de 72 horas, se essas cifras são exatas, e quantos funcionários mais foram incorporados até outubro, sob qual regime de contrato.; Reestatizado na gestão de Cristina Kirchner, o Corasa é dirigido desde o início de 2012 por Juan Claudio Tristán, um político próximo ao vice-presidente, Amado Boudou.


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