Europa cria fundo de ajuda à África

Europa cria fundo de ajuda à África

postado em 13/11/2015 00:00
 (foto: Bulent Kilic/AFP)
(foto: Bulent Kilic/AFP)



Na tentativa de solucionar o drama dos milhares de refugiados que chegam diariamente ao continente, líderes da União Europeia (UE) aprovaram a criação de fundo de 1,8 bilhão de euros para auxiliar países africanos na resposta à crise humanitária. A decisão foi anunciada durante um encontro entre representantes do bloco e líderes de 30 nações da África, em Valetta, capital de Malta. Apesar dos esforços para chegar a um plano conjunto, os europeus só conseguiram o compromisso imediato para doações no total de 78 milhões de euros para a iniciativa.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), afirmou à imprensa que o ;fundo fiduciário de emergência; tem por objetivo atacar ;as causas profundas da migração irregular na África; e combater o tráfico de pessoas. Líderes africanos salientaram que a medida, isoladamente, é insuficiente para responder à crise. ;O que queremos não é apenas uma assistência ao desenvolvimento, mas uma reforma da governança global. É preciso haver mais investimentos; no continente, observou o presidente do Níger, Mahamadou Issoufou. ;Assistência oficial ao desenvolvimento é bom, mas não é o bastante.;

Diferenças de visão entre europeus e africanos foram ressaltadas durante as mais de 20 horas de discussão em Malta. Enquanto os líderes do Velho Continente insistiam na deportação de imigrantes que não tenham direito de requerer asilo, os africanos sinalizaram o desejo de regularizar os canais de imigração para a Europa.

Em paralelo à cúpula, havia a expectativa de que fosse anunciado um acordo entre a UE e a Etiópia. Representantes da organização humanitária Anistia Internacional, porém, manifestaram preocupação com a possibilidade de o bloco ;terceirizar; a solução da crise. O presidente do Senegal, Macky Sall, demonstrou incômodo com o fato de a UE pressionar os governos africanos, quando uma parcela considerável da massa de imigrantes que chega ao continente é oriunda de países em situação de conflito no Oriente Médio. ;Os migrantes africanos não são tão numerosos quanto se diz. Por que tanta ênfase neles?;, questionou.

Apesar de as atenções do bloco europeu terem se voltado recentemente para o fluxo de imigrantes que chegam pelos países dos Bálcãs, o fluxo de refugiados que tentam cruzar o Mar Mediterrâneo a partir do norte da África não cessou. Com a multiplicação das rotas migratórias e a chegada ininterrupta de um alto número de refugiados, países da UE tem dotado medidas de fiscalização e contenção do ingresso de estrangeiros. Depois de Eslovênia e Hungria terem iniciado a construção barreiras físicas nos limites territoriais, a Suécia colocou ontem em ação um plano de controle temporário nas fronteiras.

A medida deve vigorar por 10 dias, mas pode ser prorrogada. Segundo o ministro do Interior, Anders Ygeman, o plano visa garantir a segurança, e não limitar o número de requerentes de asilo no país. Ao lado da Alemanha, a Suécia é um dos países que mais acolhem refugiados na Europa. Desde setembro, os suecos receberam mais de 80 mil.

Em Malta, o premiê sueco, Stefan Lofven, defendeu a política de controle adotada pelo seu governo e cobrou da UE uma revisão no sistema imigratório. ;Não é problema de um, dois ou três países, é uma questão para toda a UE.;

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