Licença para matar

Licença para matar

Johnny Depp brilha em filme de Scott Cooper e desponta como um dos favoritos à indicação ao Oscar

Ricardo Daehn
postado em 13/11/2015 00:00
 (foto: 
Claire Folger/Warner)
(foto: Claire Folger/Warner)



Crítica Aliança do crime





;amizade de infância é para sempre;, declara um dos protagonistas do novo filme de Scott Cooper, cineasta com traços distanciados de um dos longas que lhe consagraram, Coração louco. Longe do aspecto meloso em jogo, a amizade expressa em Aliança do crime vem assentada num nítido jogo de interesses. O agente do FBI John Connolly (o australiano Joel Edgerton, de Reino animal) depende das informações do amigo James Whitey Bulger (um impressionante Johnny Depp). Mas, a bem da verdade ; e cabe lembrar que o enredo trata de caso real, com roteiro baseado em livro de Dick Lehr e Gerard O;Neill ; as promoções de Connoly dependem de que acobertem a rede de crimes que envolve Bulger.

Com óculos escuros, nas cenas que ofuscam as estranhas lentes de contato da composição do personagem, Depp é candidato dado como certo ao Oscar. Em certo ponto, de modo raro, o roteiro pode até ocultar a vida pessoal de Bulger, mas ainda assim, Depp brilha. Imerso em extorsão e contravenções, Bulger é qualificado como ;esperto e equilibrado; pelo amigo Connolly, que o emplaca como informante do FBI.

Mas é desde 1975 que se nota a dose psicopata do tipo que deixa a prisão de Alcatraz, para ser venerado no bairro ao sul de Boston em que mora (a chamada região de Southie). Invasivo, meticuloso e violento, numa cena, Bulger diz a que veio: orientando o filho, manda que bata no colega de sala ;quando ninguém estiver olhando;.

Sem tiros a esmo, o policial comandado por Scott Cooper é muito envolvente. Fazem parte da trajetória do ;detestável criminoso;, como é descrito, coadjuvantes de peso como Benedict Cumberbatch (que vive Billy, o senador irmão de Bulger), Rory Cochrane, capacho do psicopata e Dakota Johnson, que saiu dos 50 tons de cinza para interpretar a esposa do criminoso condenado à prisão perpétua.

Um dos raros ânimos para o criminoso central do filme, para se ter ideia, vem da ajuda prestada para terroristas envolvidos com o Exército Republicano Irlandês. Outra cena que dá a sua dimensão é a da ousada maneira com que toca a ressabiada mulher de John, Marianne (a ótima Julliane Nicholson, de Álbum de família).

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