Denúncia sai até amanhã

Denúncia sai até amanhã

Polícia Federal indiciou 19 pessoas no esquema de "compra" de medidas provisórias que beneficiaram montadoras. Envolvidos negam

postado em 28/11/2015 00:00

A denúncia do Ministério Público sobre a compra da Medida Provisória 471 por um grupo de montadoras de automóveis e lobistas sai até amanhã. Esse é o prazo que o MP tem para oferecer acusação envolvendo os investigados presos na quarta fase da Operação Zelotes. A Polícia Federal já indiciou 19 pessoas no esquema. Continuarão à parte as investigações sobre a MP 512 e 627, que envolveria ainda Luis Cláudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa é que a força-tarefa de procuradores endosse o relatório da Polícia Federal. Entre os 19 indiciados estão o presidente da Caoa Hyundai, Carlos Alberto Andrade; os executivos da MMC Mitsubishi Paulo Arantes Ferraz e Eduardo Souza Ramos; os lobistas Mauro Marcondes, Cristina Mautoni, Alexandre Paes Santos, o APS, e Eduardo Valadão; e o ex-membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) José Ricardo Silva. Segundo a PF, eles ;compraram; a Medida Provisória 471 para beneficiar as montadoras. Os que teriam recebido a propina seriam a ex-funcionária da Casa Civil da Presidência da República Lytha Battiston Spíndola, o filho dela Vladimir Spíndola e o ex-secretário de Comunicação do Senado Fernando César Mesquita, ligado ao ex-presidente José Sarney (PMDB). O ex-suplente de deputado Halysson Carvalho (PMDB-PI) foi indiciado por extorsão. Todos negam as acusações.

Ontem, o advogado de Halysson, João Alberto Soares, disse que o juiz Vallisney Oliveira, da 10; Vara Federal, deverá julgar até terça-feira o pedido de soltura de seu cliente. Ele também pediu um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1; Região.
O jornalista Fernando César Mesquita negou participação no esquema denunciado pela PF e disse que, mesmo como secretário de Comunicação Social do Senado, não tinha poder para influenciar na tramitação de uma MP editada pelo Executivo. ;Nunca tive nem o poder nem a ousadia de corromper um senador. Não tem pé nem cabeça. Eles me acusam de influenciar a aprovação de uma MP que seria aprovada mesmo sem interferência minha, como passou tranquilamente pelo Senado e pela Câmara;, afirma.

Assessoria
Mesquita admite ter fechado contrato com o lobista Mauro Marcondes, mas diz que o trabalho se referia a assessoria de imprensa, o que é permitido pela lei. ;Eu li todos os depoimentos. Ninguém fala, em nenhum momento, no meu nome. O Senado hoje é aberto para qualquer coisa que você queira saber. A única coisa que o Mauro me perguntou foi sobre as regras de tramitação da MP, o que está aberto no portal do Senado para quem quiser saber;, se defende.

Em nota, o profissional de comunicação disse não ser ;a pessoa mais importante; na formulação da MP. ;Há outras muito mais importantes, que movimentaram milhões;, escreveu.

;Nunca tive nem o poder nem a ousadia de corromper um senador. Não tem pé nem cabeça;
Fernando César Mesquita, jornalista



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