Bolsa desaba e dólar avança

Bolsa desaba e dólar avança

Simone Kafruni
postado em 28/11/2015 00:00
 (foto: Vanderlei Almeida/AFP - 13/3/15
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(foto: Vanderlei Almeida/AFP - 13/3/15 )


Uma sucessão de notícias ruins abalou o mercado, mais uma vez, ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (BM) fechou em queda de 2,70%, em 45.872 pontos, terminando a semana com baixa de 4,71%, o pior resultado semanal em dois meses. O dólar saltou 2,05%, cotado a R$ 3,823, o maior valor desde 13 de novembro, quando bateu em R$ 3,833. Com isso, a moeda americana encerrou a semana em alta de 3,29%. No ano, a valorização chegou a 43,67%.

Como se não bastassem as recentes prisões do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), e do banqueiro André Esteves, sócio controlador do Banco BTG Pactual, o mau humor do mercado foi intensificado pela preocupação com a capacidade do governo de cumprir a meta fiscal ; e com o anúncio de que, pela primeira vez, o país terá um quadro que os técnicos chamam de ;shutdown;, isto é, a suspensão de todas as despesas federais. O corte anunciado é de R$ 10,7 bilhões, nem de longe suficiente para cobrir o rombo das contas públicas neste ano, que pode chegar a R$ 119,9 bilhões.

Para o economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, o governo não vai conseguir aprovar, no Congresso, a alteração da meta fiscal, e precisará fazer mais cortes, sob perna de ser condenado, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal. ;O problema é que não tem mais onde cortar, a não ser nos programas sociais.; Ele destacou que o mercado já colocou na conta essa incapacidade do governo. ;Mas as prisões agravaram a crise. A do Delcídio, acentua a paralisia política. E a do André Esteves é muito preocupante, por conta das possíveis contaminações no mercado financeiro;, disse.

Para complicar o quadro, alertou o economista-chefe da Azimut Wealth Management, Paulo Gomes, uma equipe da Standard & Poor;s (S) virá ao Brasil na semana que vem e pode rebaixar novamente a nota de crédito do Brasil. ;Para a S, o país já perdeu o grau de investimento, e mais um rebaixamento pode influenciar as outras duas grandes agências a fazer o mesmo ; o que levaria grandes fundos a cortarem investimentos no país. É mais um risco;, explicou.

Na avaliação de Flavio Serrano, economista-sênior do Haitong, é difícil avaliar o que afetou mais o comportamento do mercado. ;A questão política agravou o quadro, mas há a resposta do mercado à decisão do Banco Central de manter os juros em 14,25% ao ano, e também à dificuldade do cumprimento da meta fiscal ou da aprovação da alteração dela. São muitos eventos e todos na direção negativa. Tanto que o dólar, que chegou a R$ 3,72, passou de R$ 3,82;, avaliou.

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Queda, ontem, da Bolsa de Valores de São Paulo


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